Biografias (por Mary Zaidan)
Mario Covas, um gigante da política brasileira, dizia que a biografia era o melhor cartão de visitas de um homem público.
Nas disputas eleitorais das quais participou, antes e depois da ditadura militar, convidava o eleitor a comparar o histórico de vida dos candidatos, evidenciando a coerência e o compromisso com a democracia.
Acreditava que o cidadão preferia ouvir um não “verdadeiro” a promessas vazias.
Tinha ojeriza à mentira.
Eram outros tempos e a política de hoje não tem qualquer semelhança com aquela época.
Biografias, então, contam-se nos dedos quem pode exibi-las.
Depois de um debate na Band em que as ausências dos primeiros colocados nas pesquisas foram mais expressivas do que as presenças, a semana de entrevistas no horário nobre da TV Globo talvez tenha sido o primeiro momento em que o público pode juntar elementos comparativos dos principais candidatos à Presidência.
Da curtíssima biografia apresentada no início de cada rodada ao comportamento do postulante diante de perguntas incômodas.
Lula tropeçou na resposta sobre a lobista amiga de seu filho, Flávio Bolsonaro abusou das mentiras.
Como era previsível, a torcida de cada time vangloriou seu ponta de lança e execrou os jornalistas Renata Vasconcelos e César Tralli.
Tudo dentro do script.
Mas entre denúncias daqui e dali, o que o eleitor ficou sabendo da história dos candidatos? Romeu Zema, do Novo, governou Minas Gerais por dois mandatos.
Sabe-se que ele é um empresário bem sucedido.
E pronto.
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