Por que a Austrália, 1ª rival do Brasil no ciclo, cultua ex-Corinthians?
Centroavante formado no Corinthians, com passagens por Grêmio e Cruzeiro e que chegou a ser convocado pela seleção brasileira, Bobô passa seus administrando o "Done Deal", app australiano que serve como uma espécie de LinkedIn para aproximar clubes que desejam contratar e jogadores que querem ser contratados.
Não é raro também que ele acorde mais cedo, por volta das 5h ou 6h da manhã, para conseguir acompanhar pelo YouTube partidas da A-League, nome pelo qual o Campeonato Australiano é conhecido.
E existem ainda os dias em que ele tem de colocar na rotina a produção de vídeos para movimentar as redes sociais do Sydney FC, o time mais vitorioso da história do futebol da, adivinhem, Austrália.
Quatro anos depois de anunciar a aposentadoria, Bobô continua íntimo do país onde os comandados de Carlo Ancelotti darão o pontapé inicial do ciclo preparatório para a Copa do Mundo-2030: serão dois amistosos contra a seleção da casa, um amanhã, em Townsville, e outro na próxima terça-feira, em Brisbane.
A explicação é simples: nenhum brasileiro sequer chegou perto do sucesso que o ex-Corinthians fez nos gramados australianos. Na terra dos cangurus e do bumerangue, ele é uma espécie de lenda viva.
"Tive duas passagens pela Austrália. Primeiro, fiquei dois anos no Sydney FC. Depois, fui vendido para a Turquia, joguei na Índia e voltei para passar mais duas temporadas e encerrar a carreira", contou, em entrevista por telefone ao "Blog do Rafael Reis".
Apesar de ter jogado por só quatro anos na A-League, todas no mesmo clube, Bobô está no top 10 dos maiores goleadores da história da competição: com 58 bolas nas redes em 95 partidas, ocupa a oitava posição no ranking de todos os tempos.
O brasileiro é também o artilheiro máximo de uma única edição da liga. Em 2017/18, comemorou 27 vezes, marca que até hoje nenhum outro jogador conseguiu repetir ou superar. Na ocasião, também foi campeão nacional e ganhou a Bola de Ouro de melhor jogador em atividade no país.
"Eu tive essa sensação de "estar sobrando" algumas vezes na carreira. Na Turquia, especialmente na época em que fui convocado para a seleção [2008], e também na Austrália. Lá, era uma situação diferente: eu era mais velho, tinha mais experiência, sabia me posicionar melhor. Nosso time era muito forte, a gente foi campeão com cinco ou seis rodadas de antecedência", disse.
Bobô também lembra bem do choque cultural que foi jogar na Austrália depois de uma carreira toda construída em clubes de massa e com torcedores completamente malucos por futebol:
"Fiz base no Corinthians, depois joguei no Besiktas, da Turquia, que é pior do que aqui. Aí, quando cheguei na Austrália, era tudo diferente. A gente nem concentrava nos jogos em casa. Só chegávamos ao estádio duas horas antes do jogo e passávamos no meio da torcida. Eles me cumprimentavam, batiam na minha, mas era só isso.
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