O que João Fonseca precisa para terminar 2026 entre os 32 primeiros
No segundo semestre de 2025, João Fonseca tinha uma meta clara: terminar o ano entre os 32 primeiros do ranking e colocar-se em uma boa posição para ser cabeça de chave no Australian Open, o primeiro slam de 2026. A meta foi alcançada, e o carioca, então com 19 anos, encerrou a temporada após o Masters 1000 de Paris, deixando de jogar o ATP de Atenas, que seria seu último evento no calendário, porque já tinha os pontos suficientes.
Mas e este ano? Em uma temporada com várias lesões e sem conseguir jogar alguns torneios importantes, João Fonseca chega à reta final de 2026 em 35º lugar na Corrida, o ranking que considera apenas os pontos somados no ano. Com apenas mais dois torneios (por enquanto) em seus planos, o que o brasileiro precisa para novamente fechar um ano entre os 32 mais bem ranqueados do planeta?
Ranking não é ciência exata. A posição de um tenista depende das pontuações de outros atletas, e esses números variam de um ano para o outro. Em 2021, por exemplo, o #32 do mundo ao fim do ano foi Carlos Alcaraz, com 1.612 pontos. Em 2022, contudo, o #32 foi o americano Tommy Paul, que somava 1.210 pontos. Ou seja, pode haver uma variação grande.
Para o exercício proposto neste texto, acho mais válido usar dois números como referência. O primeiro deles é a média do #32 nos últimos cinco anos, que é de 1.421 pontos. O segundo, talvez mais relevante no momento, é a somatória do atual #32 do mundo, o chileno Alejandro Tabilo. Ele acumula 1.565 pontos hoje. Imaginemos, então, para fazer uma conta quase segura (nada é 100% preciso aqui), que João precisará encerrar o ano acima disso. Consideremos, então, 1.600 pontos como meta (Fonseca fechou o ano passado com 1.635 e foi o #24).
Até agora, o brasileiro somou 1.200 pontos em 2026. Ou seja, ele precisaria de mais 400 pra chegar ao fim do ano com esses 1.600, que lhe colocariam em uma ótima posição para estar entre os 32 cabeças de chave no Australian Open. A não ser que faça uma alteração de última hora em seus planos, João terá só dois torneios pra somar esses 400 pontos: o ATP 500 da Basileia e o Masters 1000 de Paris. Assim sendo, temos os seguintes cenários:
1) Se for campeão de novo na Basileia, terminará o ano com pelo menos 1.700 pontos. Problema resolvido. 2) Se for vice na Basileia, vai precisará chegar pelo menos às oitavas em Paris. 3) Se ele perder na semi ou antes na Suíça, precisará pelo menos de uma semifinal no torneio francês.
Difícil? Para quem vem jogando tão pouco e encarando problemas físicos, sim. Para quem tem o talento e o potencial de João, um pouco menos. De qualquer modo, está longe de ser um objetivo inalcançável.
- Repito: não é ciência exata. Faço aqui uma projeção baseado em números prováveis. Tudo vai variar de acordo com o que os outros tenistas nessa faixa de ranking farão neste fim de ano.
- Vale lembrar: João ainda pode somar no começo de 2027, no ATP de Brisbane ou no ATP de Hong Kong, dois ATPs 250 na semana de 5 de janeiro.
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