segunda-feira, 31 de agosto de 2026 📬 Resumo no TelegramPortaisSobre🌓
🇧🇷 BR ▾
ÚLTIMAS
Últimas

Moraes e Dino erram em série em caso envolvendo Luís Pablo

UOL Notícias ·
Moraes e Dino erram em série em caso envolvendo Luís Pablo

Editor da Ilustríssima, formado em administração de empresas com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião da Folha

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

Um jornalista ou veículo da mídia desfrutam, numa democracia, do direito de se inclinar à esquerda ou à direita, defender teses políticas, simpatizar com um partido, detestar um governo e escolher a seu critério os assuntos que consideram relevantes. No exercício dessa atividade, embora não seja o ideal, podem ser parciais, tendenciosos e até fazer mau jornalismo .

O que não podem é cometer crimes. Para isso existem leis, tribunais e o devido processo legal.

O caso do maranhense Luís Pablo embaralha perigosamente essas fronteiras. Dono de um blog dedicado à política local, ele publicou textos sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e familiares.

Luís Pablo veio a ser investigado por suposta perseguição ao magistrado, que estaria sendo exposto em sua segurança. A pedido da Polícia Federal, e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão contra Luís Pablo . Seus equipamentos foram examinados e a PF chegou a Raimundo Cutrim, após escandalosa permissão para violar o preceito constitucional que assegura o sigilo da fonte jornalística.

Moraes argumentou no STF que a garantia não pode servir para acobertar crimes cometidos pelo jornalista. Ainda que se considere o argumento, é de se perguntar: onde está o crime.

Relatório da PF enviado ao magistrado afirma não ser possível concluir que uma movimentação de R$ 100 mil relacionada a Luís Pablo tenha sido pagamento por publicações contra Dino. Muito estranhamente, no relatório, a polícia notou uma "tendência política" nos textos.

Tendência política não é crime. Se Luís Pablo publicou informações falsas ou ofensivas, há instrumentos legais para responsabilizá-lo. Se participou de algum delito para obter informações, que isso seja demonstrado. Mas sua orientação política não pode servir como indício criminal.

O episódio é mais preocupante porque não ocorre no vazio. Há anos decisões do STF são questionadas por juristas que veem nelas afrontas a preceitos constitucionais. Permanece vivo, por exemplo, e a gerar desdobramentos, o famigerado inquérito das fake news, aberto de ofício em 2019.

Reconhecer esse problema não significa aderir à campanha bolsonarista contra o Supremo. Moraes teve papel fundamental na reação institucional à tentativa de golpe, e o STF merece o reconhecimento dos democratas. Mas defender a democracia não concede salvo-conduto para decisões futuras.

Como escreveu recentemente na Folha a cientista política Marjorie Marona , a memória do 8 de Janeiro não pode servir para desqualificar críticas necessárias ao STF.

Boa parte dos ministros resiste a reforçar sua legitimidade pela abertura, transparência, responsabilidade e capacidade de conter o ativismo do tribunal, cujos excessos têm chamado a atenção da opinião pública e da sociedade.

Não é preciso considerar Luís Pablo um modelo de jornalismo para defender seus direitos.

Ler a notícia completa no UOL Notícias ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

Mais de UOL Notícias

Ver tudo ›

Mais em Últimas

Ver tudo ›