Como é o modelo de Bukele de combate ao crime que inspira a direita no Brasil?
Candidatos alinhados à direita nessa eleição presidencial brasileira, como Flávio Bolsonaro ( PL), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) já elogiaram ou até demonstraram publicamente o desejo de impor no Brasil um modelo de segurança pública semelhante ao implantado pelo Nayib Bukele, em El Salvador.
Mas que modelo é esse que vem sendo elogiado pelos resultados no combate à criminalidade, mas recebido críticas por conta de ataques às liberdades individuais e aos direitos humanos? A popularidade que um combate mais rígido ao crime organizado pode render a um mandatário ou um candidato a presidente é notória.
O último ranking de popularidade das lideranças da América Latina, divulgado no início de agosto pela consultoria CB Global Data, mostrou novamente o salvadorenho Bukele no primeiro lugar, com 68,7% de aprovação.
Atrás dele está a mexicana Claudia Sheinbaum que, embora posicionada mais no campo da centro-esquerda tem investido contra dos cartéis de drogas (66,5%), até com operações conjuntas com os Estados Unidos.
Na terceira e quarta posição do ranking estão os recém-eleitos Keiko Fujimori, do Peru, com 55% de aprovação, e Abelardo de la Espriella, da Colômbia, com 52,4% — ambos apoiadores de Bukele e defensores de um tratamento mais duro contra a criminalidade.
Leia também: O efeito Bukele chegou à Colômbia? Direita aposta em discurso linha-dura contra crime O governo de El Salvador costuma se vangloriar de sua política com expressivos números.
No início de agosto, apontou que o país estava há 189 dias sem registrar um único homicídio – e mais de 1,2 mil dias somados desde que a política de segurança do país mudou.
O índice de homicídios por 100 mil habitantes, dizem os números oficiais, caiu de impressionantes 106,3, em 2015, para 1,3 em 2025.
Esse foi o menor índice das América no ano passados, abaixo de países como EUA (4,0), Argentina (3,6) e Canadá (2,0).
El Salvador – Número de homicídios por 100 mil habitante Ano Índice 2015 106,3 2016 84,1 2017 83,0 2018 53,1 2019 38,0 2020 21,2 2021 18,1 2022 7,8 2023 2,4 2024 1,9 2025 1,3 O indicador de percepção de criminalidade melhorou 6,5%, refletindo o impacto percebido da repressão de segurança na segurança pública.
Menos de 10% das pessoas no país se sentem agora inseguras a andar sozinhas, em comparação com 70% em 2017.
No entanto, persistem preocupações significativas com os direitos humanos relativamente a detenções em massa, violações do devido processo e mortes sob custódia do Estado.
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