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O vôlei brasileiro declara guerra a todas as mulheres

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O vôlei brasileiro declara guerra a todas as mulheres

Quem diz o que é ser mulher? A Confederação Brasileira de Vôlei acha que é ela. A partir de agora é a CBV que vai determinar quem se qualifica para o sexo feminino. Um teste será feito em todas as atletas para dizer quem é e quem não é mulher "biológica".

O que seria ser uma mulher biológica? Ter a genitália apropriada? Cromossomos XX? Uma carga hormonal adequada ao sexo? Nada disso é tão simples. Há combinações que escapam do XX e XY. Temos XXY, XYY, XXX etc. E a carga hormonal? Igualmente bastante variada. Assim como as genitálias: quase 2% da população é intersexo. Você sabe quais as suas composições? Se você, um homem, for fazer o teste e descobrir que tem algumas dessas características você vai abrir mão de dizer que é homem?

Pessoas trans passam por ajustes hormonais para se adaptar ao novo sexo. Os estudos mais aprofundados já realizados sobre o tema de pessoas trans no esporte não encontraram vantagens específicas que esse grupo levaria sobre os demais. O esporte lida com situações de mais ou menos vantagem. Força, altura, rapidez, habilidade, treino. Tudo entra na conta. Nenhuma mulher cisgênero está sendo prejudicada pela entrada de mulheres trans no esporte. O que prejudica mulheres - cis e trans - são instituições querendo controlar nossos corpos.

O que nos prejudica é a falta de investimento, a premiação diferente da dos homens, os constantes assédios de dirigentes e treinadores. O controle sobre corpos trans é o controle sobre todos os corpos.

É ter cabelo comprido? Unha feita? Andar de saias? Ter útero? Brincar de boneca? Ter filho? Esses significados sobre o que é ser mulher não fomos nós que demos. E eles variam de tempos em tempos.

Mulheres cis são perseguidas e agredidas se deixam de preencher esses requisitos. Mulheres trans são perseguidas por preencherem esses requisitos. Não temos como ganhar. O jogo é manipulado.

"Ninguém nasce mulher". A frase é conhecida por todo mundo, mesmo quem não leu Beauvoir. Mas o que isso quer dizer?

Nós, mulheres, temos uma ideia mesmo que não tenhamos lido Simone. A gente se torna mulher todas as vezes que sobrevivemos a uma agressão, a um ataque, a uma interrupção. A gente se torna mulher quando ganha a tabuinha de passar roupa, o estojinho de maquiagem, o aventalzinho, o bebezinho de plástico. A gente se torna mulher no olhar umas das outras. Se torna mulher sempre que alguém pergunta se não teremos filhos. Onde está nosso marido. Que roupa é essa? Onde vai sozinha a essa hora? A gente se torna mulher a cada repressão e a cada ato de resistência numa jornada contínua. Eu me sinto mais mulher hoje do que antes.

Não existe um ato único que funda gênero. Gênero só existe na prática. Não somos mulheres porque temos cromossomos XX (muitas de nós, mulheres cis, não temos). Não somos mulheres por causa de um conjunto hormonal específico, nem por termos vaginas e úteros (muitas de nós não temos, aliás, úteros).

Somos uma construção. Vivemos dentro do regime binário da diferença sexual que traça destinos quando alguém diz dentro de uma maternidade: é menino ou é menina.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.

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