Mendonça diz que abrir celular de Vorcaro pode pôr investigação em risco
O ministro do STF André Mendonça disse que abrir a íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode "tumultuar" e comprometer investigações.
Despacho assinado hoje, dois dias antes da sessão do plenário, responde a cobranças internas por acesso total ao espelhamento do iPhone apreendido pela Polícia Federal (PF). Nos últimos dias, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes acionaram a presidência do STF para pedir a liberação integral do material ligado às apurações sobre o Banco Master.
Moraes criticou a ideia de o relator definir o que o colegiado pode ver. "não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento", escreveu o ministro, em manifestação à presidência da Corte.
Mendonça disse que os ministros terão, para o julgamento de terça, o mesmo conjunto de documentos que ele usará. "Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os Ministros deste Tribunal. Para tal fim, este Ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão", afirmou.
Relator sustentou que anexar dados que ainda não estão nos autos abriria espaço para desviar o foco do processo. "A inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro, somente contribuiria para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural", disse.
Ao citar o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, Mendonça afirmou que a gravidade do caso não justifica atalhos nem manobras. "Como bem enfatizou o eminente Presidente, 'A gravidade dos fatos não autoriza atalhos', mas também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça", completou.
No mesmo despacho, Mendonça pediu a Fachin que quatro delegados da PF prestem informações em 24 horas sobre o envio de relatórios e mídias ao seu gabinete em março de 2026. O ministro disse haver "divergência de informações" sobre como o material foi encaminhado e citou um ofício que chegou sem indicar decisão que determinasse a remessa.
Mendonça também solicitou que os delegados detalhem as circunstâncias da entrega e relatem se sofreram constrangimentos durante as apurações. A solicitação ocorre em meio à troca de ofícios no STF às vésperas do julgamento.
Fachin havia dado 24 horas para a PF esclarecer a situação do aparelho e a integridade da cadeia de custódia. Em resposta enviada hoje, a corporação afirmou que o celular e a extração originais seguem guardados com segurança e que tem condições técnicas de produzir e encaminhar cópias idênticas a gabinetes que requisitarem, conforme informou o UOL.
A PF disse ainda que o arquivo repassado ao gabinete de Mendonça em março era uma cópia, enviada após pedido formal do relator.
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