Análise: A crise do STF e o preço da reputação internacional do Brasil
A inserção internacional de um país se dá também por meio de sua reputação, da maneira como ele é visto pelos demais países e daquilo que projeta no exterior, para o bem e para o mal, tanto no que há de virtuoso quanto no que há de vicioso.
Um país como, por exemplo, a Coreia do Norte, não tem muito a acrescentar ao mundo em termos de economia ou de aspectos transnacionais.
Tem, sim, em termos de desestabilização.
Tem a bomba atômica e pode causar confusão em sua região próxima, envolvendo Japão, China, Rússia e Coreia do Sul.
Enfim, é conforme o atributo que um país tem que ele é percebido.
E, ao ser percebido, estabelece relações naquele nível, sejam elas virtuosas ou viciosas.
O caso do Brasil, com todo esse evento envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal) , é um elemento muito tóxico para a nossa projeção externa.
De fato, o Brasil se notabilizou, nas últimas décadas, sobretudo nas últimas décadas e meia, por aspectos nefastos, por aspectos tóxicos de sua projeção externa.
A Lava Jato foi um grande esquema de corrupção, de organização da corrupção, que envolveu vários países da América Latina e da África.
Depois, o crime organizado de extração brasileira, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) , igualmente se transformou em um grande empreendimento externo brasileiro que passou a representar problemas transnacionais.
E agora temos a questão do Poder Judiciário brasileiro, que espelha para o mundo a sua ineficácia, a sua incapacidade de lidar com seus próprios problemas e de lidar com os problemas do Brasil.
Leia Mais Waack: O Supremo consegue julgar a si mesmo? STF: Carta de apoio a Fachin é busca por transparência, diz especialista Análise: Engolido pela crise no STF, Brasil paralisa Que investidor quer vir para um país em que a Corte Constitucional não dá as respostas necessárias, não tem credibilidade e no qual há claros indícios de corrupção, de descaminho, de malfeito? O Brasil precisa se mostrar confiável.
E essa confiabilidade começa pelas instituições mais básicas, pela Justiça, pela capacidade de seu sistema judiciário de resolver problemas, respeitar contratos e dar conta das disputas que os investidores, os aplicadores e, enfim, as pessoas que acreditam na economia brasileira e em toda essa gama de atividades apresentam em relação ao nosso país.
Também é preciso que as pessoas acreditem no sistema de Justiça brasileiro .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.