Operadores do JPMorgan deixam visão otimista para ações do EUA após discurso de Warsh
(Bloomberg) — A mesa de operações do JPMorgan passou a adotar uma postura “taticamente cautelosa” em relação às ações americanas nas próximas semanas, após comentários mais duros do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, levarem o mercado a elevar as apostas em altas de juros ainda neste ano.
Os estrategistas do banco, liderados por Andrew Tyler, chefe de inteligência de mercado para os Estados Unidos, deixaram de lado sua visão otimista no período que antecede a decisão de política monetária do Fed em 16 de setembro.
A mudança ocorre diante das incertezas sobre a trajetória dos juros.
Apesar disso, eles acreditam que o pano de fundo para o mercado continua favorável, sustentado por indicadores econômicos e resultados corporativos sólidos.
Em um discurso muito aguardado na sexta-feira, Warsh afirmou que a inflação não está desacelerando de forma significativa.
Segundo Tyler, caso o Fed realmente volte a elevar os custos dos empréstimos, os investidores ainda não têm clareza sobre a intensidade nem sobre a duração de um eventual ciclo de aperto monetário.
O novo presidente do banco central também tem oferecido menos sinalizações antecipadas sobre sua política de juros do que seus antecessores.
“Estamos migrando para uma visão taticamente cautelosa e neutra.
Em outras palavras, os fundamentos do mercado acionário permanecem fortes, mas variáveis de curto prazo provavelmente farão os mercados oscilar lateralmente”, escreveu Tyler em relatório divulgado aos clientes nesta segunda-feira.
O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos ultrapassou 4,75% nesta segunda-feira pela primeira vez desde janeiro de 2025, impulsionado pela alta do petróleo e pelo aumento das expectativas de aperto monetário.
O mercado de swaps indica uma probabilidade próxima de 70% de uma elevação de 0,25 ponto percentual na reunião do Fed do próximo mês.
Tyler, que adotou corretamente uma postura cautelosa no início de junho antes de uma correção que durou várias semanas nas bolsas americanas, apontou três pressões de curto prazo: a incerteza sobre os juros, a sazonalidade historicamente negativa para o mercado e a perda de fôlego das ações ligadas à inteligência artificial.
Ainda assim, ele observou que o posicionamento líquido dos investidores em ações permanece amplamente neutro.
Com a chegada de setembro, tradicionalmente o mês mais fraco para os retornos das ações nos Estados Unidos, Wall Street enfrenta uma série de riscos.
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