O que o Mounjaro pode fazer com a depressão, segundo novo estudo
Quem atende pessoas com obesidade e depressão conhece bem o círculo vicioso: uma condição alimenta a outra.
Quem tem obesidade tem 55% mais chance de desenvolver depressão; quem tem depressão tem 71% mais chance de chegar à obesidade.
Para complicar, vários antidepressivos e antipsicóticos favorecem o ganho de peso.
É nesse contexto que chamou a atenção um estudo publicado na revista científica Translational Psychiatry , do grupo Nature.
Psiquiatras e epidemiologistas de Taiwan analisaram prontuários eletrônicos de 172 instituições de saúde reunidas na rede TriNetX, que soma dados anônimos de mais de 200 milhões de pessoas.
Eles selecionaram adultos com sobrepeso ou obesidade e diagnóstico de depressão maior que começaram a usar tirzepatida ( Mounjaro ) ou um dos remédios mais antigos para emagrecer: fentermina, orlistate, topiramato, naltrexona ou bupropiona.
Ficaram de fora pessoas com pensamentos suicidas, tentativa de suicídio, internação ou ida ao pronto-socorro nos seis meses anteriores.
Continua após a publicidade Depois de um pareamento estatístico, que forma duplas de pacientes semelhantes em idade, sexo, doenças e remédios em uso, sobraram 24.103 pessoas em cada grupo.
Três em cada quatro eram mulheres, com idade média de 50 anos e índice de massa corporal próximo de 40.
Em seis meses, pensamentos suicidas foram registrados no prontuário de 37 usuários de tirzepatida (0,15%) e de 71 pacientes do outro grupo (0,29%).
Em termos relativos, o risco foi 37% menor.
Em termos absolutos, são cerca de 15 casos a cada 10 mil pacientes contra 29 a cada 10 mil, o que equivale a um caso a menos para cada 700 pessoas tratadas no período.
A diferença se manteve nas análises de um e dois anos.
Continua após a publicidade O padrão se repetiu em outros desfechos.
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