Vou te contar por que você paga condomínio
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Todo mês acontece a mesma coisa. O boleto chega e, durante alguns segundos, muita gente olha para aquele valor tentando entender como pode custar tanto simplesmente morar no próprio apartamento.
A sensação não é absurda. Você comprou o imóvel, paga IPTU, energia, água em muitos casos, seguro, financiamento para quem ainda tem, e então aparece mais uma conta que facilmente pode passar de mil, dois mil ou vários milhares de reais. O nome dela é condomínio, mas o problema começa justamente aí. A palavra é genérica demais para explicar tudo o que está sendo comprado.
Depois de muitos anos trabalhando com condomínios, percebi que talvez uma das maiores falhas do nosso mercado seja nunca ter explicado direito isso para o morador. Entregamos um boleto com um número e esperamos que ele compreenda sozinho o que existe atrás dele.
Você não paga condomínio porque tem um síndico. Também não paga simplesmente para alguém limpar o corredor, receber encomendas e manter a piscina funcionando. Você paga porque decidiu morar em uma propriedade particular que depende diariamente de uma estrutura coletiva.
Para chegar em casa, alguém precisa controlar a entrada. O elevador precisa funcionar. A garagem precisa abrir. As luzes precisam acender. A água precisa chegar. As bombas precisam operar. O lixo precisa desaparecer. As áreas precisam ser limpas. Funcionários precisam receber salários. Empresas precisam cumprir contratos. Equipamentos precisam ser mantidos. Seguro precisa existir. Impostos e obrigações precisam ser pagos.
O curioso é que quase tudo isso só chama atenção quando para de funcionar.
Ninguém acorda numa terça feira particularmente feliz porque a bomba de recalque funcionou durante a madrugada. Ninguém entra no elevador pensando que foi uma ótima experiência ele ter chegado ao décimo andar. Ninguém manda mensagem no grupo agradecendo porque o portão abriu.
É justamente quando tudo funciona que parece não haver nada acontecendo.
Talvez aí esteja uma das razões pelas quais a taxa condominial incomoda tanto. Uma parte relevante do dinheiro é usada para comprar coisas que o morador não percebe.
Manutenção é um ótimo exemplo. Trocar uma peça antes que ela quebre não produz espetáculo. Revisar um equipamento também não. Limpar uma caixa d’água corretamente, testar um sistema, manter bombas, verificar instalações ou cumprir determinadas obrigações técnicas raramente rende elogio em assembleia.
Existe outra confusão bastante comum. O morador compara a administração do condomínio com a administração da própria casa. É compreensível, mas são economias diferentes.
Na sua casa, se a torneira estiver pingando, você pode decidir consertar no mês que vem. Se quiser pintar a parede sozinho no sábado, problema seu. Se comprar um produto ruim e ele quebrar, provavelmente o prejuízo termina em você.
Num condomínio, uma decisão ruim pode atingir dezenas ou centenas de famílias e um patrimônio de valor enorme.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.