Desdobramentos dos casos Master e Lulinha ampliam divergências entre Mendonça e Gonet
O andamento da investigação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elevou a tensão entre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
De um lado, o chefe do Ministério Público afirma que o inquérito contra o filho do petista deve ser enviado à primeira instância da Justiça por não haver elementos envolvendo autoridades com prerrogativa de foro na Corte.
LEIA MAIS: Marçal pode “bagunçar” eleição, mas não ameaça Lula x Flávio, diz analista Do outro, há um entendimento de pessoas próximas a Mendonça de que a conexão com o escândalo do INSS, que revelou o envolvimento de um parlamentar, e as citações a Lula em mensagens de celular encontradas ao longo da apuração podem manter o caso por ora no STF.
O descompasso ampliou as divergências entre os dois, que vêm se acumulando nos últimos meses e perpassam também, além da apuração sobre descontos indevidos de aposentadorias, o caso ligado ao Banco Master.
Diante desse impasse, Mendonça deve rejeitar o pedido da PGR, que pode recorrer da decisão do ministro à Segunda Turma do STF.
Além do relator da investigação de Lulinha, fazem parte do colegiado o decano da Corte, Gilmar Mendes, e os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
O magistrado, porém, não deve decidir sobre o desfecho do caso tão cedo.
Indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Mendonça tem adotado entendimentos divergentes de Gonet.
O procurador-geral da República foi reconduzido ao posto no ano passado por Lula e com apoio de uma ala da Corte que diverge das posições adotadas por Mendonça, formada pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, de quem Gonet já foi sócio.
Em março, por exemplo, Mendonça discordou da PGR, que havia pedido mais tempo para analisar um pedido de prisão de Daniel Vorcaro, do Master.
Na ocasião, o magistrado registrou em sua decisão ser “lamentável” o posicionamento da PGR diante das “evidências de ilícitos”.
LEIA MAIS: Sem Lula e Flávio, candidatos tentam furar polarização no 1º debate presidencial Em junho, houve nova divergência em uma operação relacionada ao caso Master.
Gonet concordou com a Polícia Federal (PF) em realizar a operação que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), mas se opôs à apreensão de itens de luxo de alto valor e de dinheiro em espécie, o que foi indeferido por Mendonça.
A PGR também se manifestou contrária aos mandados de busca e apreensão cumpridos no início do mês em endereços de familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e ligados ao advogado Willer Tomaz, em uma nova fase da investigação envolvendo fraudes no INSS.
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