Segundo MP, presidente de hospital distribuía “cortesias” e Pix em esquema
Preso na 2ª fase da Operação Dirty Pix, o então presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuvis Breure, teria transformado a finalidade institucional do hospital de Sidrolândia.
Para o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), em vez de saúde, a unidade alimentava um sofisticado esquema de corrupção, mediante distribuição de vantagens e favores.
“Valendo-se da confiança depositada pelo Estado na entidade beneficente e da própria relevância social dos serviços por ela prestados, transformou a instituição em plataforma para sucessivas captações de recursos públicos, utilizando parte desses valores para alimentar sofisticado esquema de corrupção, enquanto a população aguardava melhorias na estrutura de atendimento médico-hospitalar, prejudicando diretamente o atendimento a populações vulneráveis”.
A análise consta no relatório da operação, deflagrada em 7 de outubro pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia e Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado).
Conforme a investigação, Jacob também investia na construção de uma rede de proteção institucional, distribuindo vantagens indevidas, favores e benefícios materiais a pessoas que, direta ou indiretamente, ocupavam posições relevantes no cenário político e do sistema de segurança pública.
Nesse cenário, o MP destacou a relação com Júlio Cesar Alves da Silva, então assessor parlamentar e que também foi preso na operação.
No dia 15 de julho de 2022, Júlio mandou chave Pix para Jacob.
Na sequência, empresa de Jacob fez dois pagamentos: um de R$ 15 mil e um R$ 10 mil.
“A circunstância revela que Júlio Cesar já era remunerado pelo presidente do Hospital antes mesmo da liberação dos recursos que posteriormente alimentariam os convênios investigados, comprovando que sua atuação consistia justamente na articulação destinada à obtenção dessas verbas públicas.
Todavia, as provas revelam que Júlio Cesar não era o único operador financeiro remunerado pelo esquema”.
Para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos, Jacob promovia a circulação dos valores por múltiplas contas bancárias, realizando pagamentos desprovidos de qualquer lastro econômico legítimo, empregando mecanismos destinados a ocultar os verdadeiros beneficiários das quantias desviadas.
No dia 21 de dezembro de 2022, Jacob questiona expressamente Júlio.
"Posso esparramar em diversas contas?" Ao que Júlio responde positivamente e Jacob, na sequência, diz: "Te passo os pix".
No caso dos favores, o relatório cita cortesia do pagamento do aluguel para a delegada Cynthia Karoline Bezerra Gomes Tapias.
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