Lula 4 deve emparedar centrão e cobrar fidelidade de quem tiver ministério
Dois dias após a reeleição, auxiliares do presidente Lula passaram a dizer que o novo mandato vai inaugurar uma nova relação com o centrão, grupo de partidos que fizeram parte do governo mas acabaram apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto.
A nova postura de governabilidade foi vocalizada nesta terça-feira (27) pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, após uma reunião com a bancada do PT na Câmara. Segundo Guimarães, é necessário considerar "o que as ruas disseram" e estabelecer "uma relação diferente com o Congresso", agora "construindo fidelidade dos aliados com o governo".
"O método que o governo vai utilizar é diferente do que foi no passado. Os partidos do centrão vão participar do governo? Eu defendo que participem e que dialoguemos para isso. Porém, tem que ser uma participação efetiva. Não é meia participação, não é meia governabilidade. Tem que ser governabilidade integral e total. Partido que vai para o governo em função dessa nova configuração do presidente do Brasil tem que ter dedicação, assim como o PT, que é muito importante a gente construir", afirmou o chefe da articulação política.
O ministro acrescentou que não pode "um partido ter três ministérios e votar sempre contra o governo". "Eu acho que isso está errado. Nós precisamos construir o governo com muitas alianças, mas com nitidez política por conta do que aconteceu nas ruas. Portanto, essa nova governabilidade precisa ser construída sob novos moldes para poder construir as bases para a aprovação de matérias que são importantes", disse Guimarães.
No Lula 3, partidos como o PSD, MDB e União Brasil ocuparam três ministérios cada - mas nem todos entregavam o total de votos no Congresso. PP e Republicanos também integraram a base governista, mas também são divididos internamente. Agora, disse Guimarães, a "bancada do PT terá que exercer um novo protagonismo na relação com o governo".
Para o ministro, o "país mudou muito" e não se pode levar em consideração o que foi feito no passado. Guimarães admitiu, por exemplo, que o governo "errou" ao não dialogar com a sociedade e com as ruas na construção de políticas públicas e disse que uma nova postura deve ser adotada.
Entre as propostas consideradas prioritárias está a PEC da Segurança, mas com previsão de retirada da previsão da redução da maioridade penal, tema que rachou o PT no Senado. Também devem ser votados ainda neste ano a MP das Bets e o Orçamento.
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