Como reencantar as políticas e sonhar futuros
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Socióloga, é presidente do Conselho Curador da Fundação Tide Setubal e do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta; membro do Conselho Editorial da Folha
Com o segundo turno pela frente , temos a oportunidade de debater uma visão mais concreta para todos os eleitores sobre qual é o sentido da democracia no dia a dia das pessoas. E por que valores como cidadania cívica, solidariedade, diversidade e justiça social podem nos identificar com um novo reencantamento pela vida —para responder à provocação feita pela jornalista Flávia Oliveira em um post nas redes sociais.
Estudos acadêmicos, redes sociais e a mídia em geral têm apontado para sentimentos de medo, ressentimento e desamparo que se espraiam pela sociedade brasileira –e também pelo mundo. Esses pontos dialogam com a pesquisa Quaest sobre os sonhos dos brasileiros . Em questões sobre objetivos sociais mais amplos, as principais respostas envolviam ter boa saúde, viver em um lugar sem violência e ver a sua felicidade e a dos amigos. Quando o foco tinha caráter mais subjetivo, as menções mais frequentes foram ter casa própria e ver o filho formado na universidade. Chama a atenção a falta de sonhos coletivos, pois, ainda que a sociedade esteja cada vez mais voltada para a valorização do individualismo, nosso ser é social, nos constituímos nas relações com o outro.
O filósofo franco-caribenho Édouard Glissant nos diz que uma sombra duplica cada um de nossos passos porque nunca começamos do nada, somos menos indivíduo e mais relação. É no espaço público que conhecemos, para além de nossos referenciais familiares, as diversidades constitutivas de grupos minorizados e podemos estabelecer interações em diferentes níveis. É nesse espaço público que, também, construímos conhecimentos e aprendizados, na escola, na comunidade, com os amigos e no trabalho. E é na arena política do jogo democrático que podemos fortalecer um mundo comum.
Pierre Rosanvallon , ao escrever sobre a era da desconfiança que impera nas sociedades atuais, ressalta que o desafio da nossa época está em como reconstruir um laço social entre seres humanos livres e iguais e, ao mesmo tempo, singulares e comuns. Trata-se de uma nova forma de interação social baseada na singularidade, reciprocidade de interações e sentido coletivo de propósito.
Não podemos nos deixar levar pela impotência diante das diversas crises que nos atravessam, acreditando apenas nas grandes soluções que, sem dúvida, precisam ser discutidas e encaminhadas. No entanto, tais questões só terão respaldo na sociedade se fizerem sentido no cotidiano das pessoas, com exemplos concretos de mudanças e valores que envolvam o coletivo.
No Brasil e em diversos países do mundo, soluções inovadoras de democracia têm recorrido a apoio nos territórios como nova forma de pensar a política. As propostas são diversas e não há um modelo único a ser seguido.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.