É perigoso usar carregador de celular público? Entenda o que é "juice jacking"
Imagine este cenário: você está no aeroporto, atrasado para o embarque e com apenas 3% de bateria no celular.
Perto do portão, encontra uma estação de carregamento USB, conecta o aparelho e respira aliviado.
Minutos depois, sem você perceber, seu celular pode ter sido comprometido: por meio da conexão aparentemente inocente, um invasor agora tem acesso aos seus documentos, fotos e mensagens.
Quando você finalmente desconecta o cabo e embarca, talvez leve consigo não apenas um celular com a bateria cheia, mas um invasor escondido dentro dele.
Esse tipo de ataque tem nome: juice jacking, uma técnica que transforma uma necessidade banal, recarregar o celular, em uma possível porta de entrada para criminosos.
O termo foi cunhado pelo jornalista Brian Krebs em 2011 quando, durante a DEF CON (conferência de hackers nos EUA), ele testemunhou um grupo de pesquisadores realizar um teste demonstrando que ataques assim eram possíveis.
Esse tipo de teste é comum na área de tecnologia e é chamado de “prova de conceito” - ou seja, é plausível que alguém mal-intencionado consiga armar um esquema do tipo.
O funcionamento é relativamente simples: utilizando uma porta USB ou um cabo adulterados, um invasor pode se aproveitar de vulnerabilidades no sistema operacional do telefone.
Caso consiga acesso, ele pode cometer diversos atos maliciosos: roubar dados, instalar malware e até tentar criar uma forma de controle sobre o aparelho.
A descoberta dessa técnica gerou uma resposta imediata das big techs: as novas versões de iOS (Apple) e Android (Google) passaram a contar com medidas para prevenir esses ataques, em especial a solicitação de consentimento do usuário antes que uma conexão de transferência de dados com um computador seja efetuada.
Pelos próximos anos, o juice jacking virou motivo de alerta nas redes: muitos sites e autoridades (como o FBI) passaram a emitir alertas expressos para que as pessoas não carregassem seus celulares em tomadas públicas e que não usassem cabos que não fossem os seus próprios.
Parecia realmente um aviso importante: a necessidade de recarregar o celular é geral e constante, portanto a ideia de que bandidos tentariam se aproveitar disso faz todo o sentido.
Só que a realidade mostra que não é bem assim: até 2025, não houve casos documentados de invasões reais por juice jacking, com exceção das provas de conceito.
Moral da história? É até possível que a história do início do texto aconteça.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.