Flávio prometeu ser o candidato da mudança. Começou mudando-se de país
Flávio Bolsonaro prometeu ser o candidato da mudança. Em dois dias, cumpriu a promessa e de mudou-se de país. Cruzou a fronteira, pegou um voo particular e se pirulitou, segundo seus aliados, para os Estados Unidos de Donald Trump.
Lá, ele vai estar confortável e longe da Justiça brasileira, onde é alvo de dois inquéritos sobre crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Somará forças ao irmão Eduardo (foragido das autoridades daqui após ser condenado por interferir no julgamento do pai por tentativa de golpe) no ataque às instituições.
E não estará desassistido. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, havia transferido a seu pedido ao menos R$ 70 milhões para um fundo nos EUA sob a justificativa de financiar o filme Dark Horse (a PF investiga se não foi para o próprio bolso da família). Isso sem considerar as contas que tinha com seu BFF Willer Tomaz.
Mostra, com sua decisão, um padrão da sua família. Que, diante da Justiça, foge. E, da imprensa, mente.
"Nunca pensei em sair do país." A frase foi dita por ele ontem, em vídeo nas redes, após ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, comum e diplomático, por determinação de Alexandre de Moraes. Diante do histórico recente do senador, a pergunta é inevitável: quem acreditou?
Afinal, ele também havia dito que aceitaria o resultado das urnas. Em 2 de agosto, no programa Canal Livre, da BandNews, garantiu: "Eu vou aceitar, vou concorrer com essas regras". E, em sabatina na TV Globo no dia 16 de outubro, reforçou: "Independentemente de qual for o resultado, vou respeitar."
Nesta segunda, ele refugou diante do ridículo: em vez de anulação, vai pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder político e econômico. E uma frase que resume o espírito da coisa: "Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou". É o manual de quem não sabe perder: a culpa é do juiz, do gramado, da bola, do gandula. Nunca do time.
O pano de fundo da fuga é a PF, que aponta que Flávio e o advogado Willer Tomaz dividiam uma conta no Santander. Tomaz, alvo de busca em agosto por suspeita de lavar dinheiro desviado de aposentadorias do INSS, teve o passaporte cancelado na sexta. Como está fora do país, a medida só terá efeito quando (e se) voltar. Moraes também proibiu o senador de se comunicar com o amigo. Agora, fora do país podem trocar ideia à vontade.
Flávio chamou a decisão de "aberração" e de tentativa de intimidá-lo. As defesas dele e de Tomaz negam as acusações.
Jair disse que não daria um golpe, tentou um golpe, e agora está preso por causa disso. Disse que não tentaria fugir, e fez um teste drive de fuga na Embaixada da Hungria, em 2024, bolou um plano de fuga para a Argentina e, como esquecer, sua icônica tentativa de derreter a sua tornozeleira eletrônica. O que mostra que dois de seus filhos foram mais bem sucedidos que ele em fugir. Não é isso, afinal, o que todo pai quer?
Em política, palavra empenhada é patrimônio. Flávio torrou a sua em poucas horas ao dar as declarações grávidas de golpismo e ao escafeder-se.
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