Na véspera da ONU, Lula critica Trump e pede para não interferir na eleição
Às vésperas da reunião da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o presidente Lula (PT) criticou o presidente Donald Trump e defendeu a não interferência norte-americana nas eleições brasileiras. A declaração ocorreu hoje em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional.
Lula afirmou que a guerra econômica atual tem sido causada pelo presidente Trump, que defende o unilateralismo. "É muito perigoso porque há sempre a possibilidade de revelar o mais forte, que é mais forte na economia, que tem mais armas, que tem mais tecnologias", disse o presidente brasileiro.
Segundo Lula, Trump foi eleito para governar os Estados Unidos e não deve impor seus interesses sobre o resto do mundo. "Ele tem o direito de governar os EUA, mas ele não tem o direito de governar outros países. Ele não tem o direito de impor sua vontade. Ele tem que ter a vontade de negociar", disse.
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Nós não queremos interferir nas ações domésticas dos EUA. Nós queremos construir parcerias com as empresas americanas, as empresas chinesas, as empresas francesas, as empresas alemãs. O que nós não queremos é a imposição a nós. E temos que ser muito cuidadosos. Eu não sou o tipo de cara que quer mostrar valentia. Eu não quero blefar. Eu não blefo. Eu gosto de respeitar, e eu gosto de ser respeitado e mostrar respeito. Essa é a relação que eu quero com os EUA. Presidente Lula, em entrevista à CNN Internacional
O presidente Lula fará o discurso de abertura da 81ª Assembleia-Geral da ONU amanhã (22). O discurso ocorre pela manhã e mantém a tradição no evento de a primeira fala ser do líder brasileiro.
Na entrevista, Lula também defendeu mudanças na estrutura do Conselho de Segurança da ONU. "A guerra da Ucrânia está acontecendo há cinco anos e o Conselho de Segurança da ONU não se reúne. Hoje, nós estamos vivendo o maior número de conflitos na história da humanidade após a Segunda Guerra Mundial", frisou.
Lula afirmou que fica preocupado com os rumos do Brasil durante as eleições. Segundo ele, os eleitores brasileiros vão escolher entre a "democracia ou barbarismo". O presidente também destacou a eficiência do sistema eleitoral.
Eu estou muito confortável com o processo eleitoral, muito confortável. Nossa urna é muito boa. Nosso sistema de voto eletrônico deve ser adotado pelo resto do mundo, porque um país que tem 160 milhões de votantes em 27 estados da federação. Quando a eleição termina, uma hora depois disso, já sabemos os resultados por causa do sistema eletrônico de voto. Nenhum outro país pode fazer isso. Não é uma eleição contestada, então eu estou confortável. Ainda temos 17 dias de campanha e vamos ganhar as eleições de novo. Presidente Lula, em entrevista à CNN Internacional
Em relação à negociação das tarifas aplicadas pelo governo americano ao Brasil, Lula disse que não vai ficar "chorando" e está buscando novos parceiros comerciais. O presidente citou que, após as sanções, o Brasil cresceu 10,5% de comercializações com outros 57 países.
Eu acho que essas tarifas foram baseadas em mentiras.
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