Juros futuros têm firme alta com cenário eleitoral apertado e promessa de Lula sobre transporte público
Os juros futuros fecharam em firme alta com aumento do prêmio de risco político nesta quinta-feira (15), diante da cautela do mercado com o cenário eleitoral do segundo turno, além do aconselhamento dos assessres de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a prometer publicamente a “tarifa zero” no transporte público aos finais de semana.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,468%, no ajuste da véspera, a 13,517%.
O DI para janeiro de 2029 avançou a 12,730%, vindo de 12,436% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2031 saltou de 12,494% a 12,760%.
O que mexeu com os DIs hoje? Além da falta de clareza sobre a trajetória fiscal do próximo governo, dado que investidores têm expectativa de um ajuste mais austero trazido pela alternância de poder, a aprovação do Senado à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 já havia sido precificada, mas também pesou, em menor medida, sobre a recomposição dos juros.
Por elevar custos com mão de obra, agentes avaliam que a medida terá impacto inflacionário.
A renda fixa local, assim, operou na contramão do alívio observado nos Treasuries, cujas taxas exibiram forte recuo nesta quinta, ainda na esteira do ajuste nas perspectivas para a trajetória da política monetária nos EUA, que agora indicam aumento dos juros em dezembro.
Por volta das 18h, o retorno da T-note de 10 anos caía de 5,186% a 5,069%.
Sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal afirma que o mercado, em euforia logo após a liderança de Flávio Bolsonaro nas urnas no primeiro turno, agora está entrando em um “choque de realidade”, que leva à correção de excessos no desempenho dos ativos.
“Isso não é de hoje, vem ocorrendo desde o início da semana, e é tudo ligado à questão eleitoral”, observou.
Na plataforma de apostas Polymarket, que tem tido peso para os profissionais de mercado, a chance de vitória do senador do PL já chegou a alcançar 89% e, hoje, está em 76%, um número ainda relevante, mas distante do otimismo demonstrado logo depois do primeiro turno, diz Leal.
Segundo o economista, há uma readequação dos agentes a um cenário de eleição mais disputada e, como as campanhas chegaram em fase decisiva, este ainda deve ser o principal vetor para os ativos domésticos nos próximos dias.
Como eventos que ditarão os preços, ele menciona, além da Datafolha a ser divulgada nesta quinta-feira, as sabatinas do presidente Lula e Flávio pela TV Globo , nesta noite e na noite de amanhã, pela ordem, e o debate entre os dois candidatos no domingo, na Band .
“Acho que esse movimento da tarde nos juros futuros é a soma de vários fatores ruins.
A eleição abriu a caixa de Pandora”, disse o economista-chefe da Monte Bravo, Felipe Tavares, à Broadcast .
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