Academia cobra R$ 2,5 mil por mês, limita alunos e aposta em atendimento individual para crescer no Itaim
Enquanto novas academias premium disputam clientes com saunas, banheiras de gelo e serviços de recuperação muscular, uma academia do Itaim Bibi, em São Paulo, aposta em um modelo mais tradicional: musculação, poucos alunos e um treinador disponível para acompanhar cada cliente.
A Sett cobra cerca de R$ 2,5 mil por mês e mantém sua base em aproximadamente 500 alunos. A academia conta com cerca de 50 professores circulando diariamente pelo espaço para atender os frequentadores de forma individualizada, sem necessidade de agendamento prévio.
O modelo é parte central da estratégia do negócio. Em vez de buscar o maior número possível de clientes, o fundador Flávio Settanni prefere limitar a capacidade para preservar o atendimento — uma escolha que também restringe o potencial de expansão da empresa.
“Às vezes quero abrir outra unidade. Em outras, desisto. Já pensei em expandir para fora de São Paulo, mas não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Gosto de acompanhar de perto tudo o que acontece aqui”, afirma Settanni.
Inaugurada em 2010, a Sett ocupa mais de 1 mil metros quadrados entre as avenidas Faria Lima e Juscelino Kubitschek, em uma das regiões mais valorizadas de São Paulo.
A mensalidade gira em torno de R$ 2,5 mil. A matrícula custa R$ 1.300 e dá direito à escolha entre uma avaliação com nutricionista, uma consulta com fisioterapeuta ou um teste genético.
Mas, segundo o fundador, o principal diferencial não está nesses serviços adicionais.
A proposta é que o cliente encontre um professor disponível durante o treino. O acompanhamento individualizado já está incluído na experiência da academia, em vez de funcionar como um serviço adicional contratado separadamente.
Para manter esse padrão, a Sett trabalha com aproximadamente 50 professores e limita a quantidade de alunos ativos a cerca de 500.
Quando abriu as portas, em 2010, a região tinha uma configuração bastante diferente da atual. O Itaim Bibi ainda era predominantemente residencial e tinha menos prédios comerciais.
O público inicial da academia era formado principalmente por moradores de alta renda do bairro. Com a expansão dos escritórios e a consolidação da Faria Lima como centro financeiro, o perfil dos clientes mudou.
Hoje, boa parte dos alunos trabalha nas empresas instaladas na região e encaixa o treino antes, durante ou depois do expediente. A academia também passou a atrair estudantes de universidades próximas, como Insper e Link School.
Settanni trabalhou durante anos como treinador em grandes redes e identificou uma insatisfação dos clientes com o modelo tradicional de atendimento. Começou então a montar equipes para acompanhar alunos individualmente em academias de condomínios de luxo e nas próprias redes onde trabalhava.
A demanda cresceu até que a equipe já não conseguia atender todos os interessados. Foi quando surgiu a ideia de abrir um espaço próprio.
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