'Estilo Larsson': Gabriel Jesus tem perfil que Barcelona procura há 20 anos
Gabriel Jesus foi uma contratação inesperada do Barcelona: chega no fim da janela de transferências, por um valor baixo, aos 29 anos e será apresentado nesta terça-feira sem muita badalação. Afinal, o clube passou os últimos meses falando em Julián Álvarez, por um preço dez vezes mais alto que os 10 milhões de euros (R$ 60 milhões) pagos pelo ex-Palmeiras.
Só que, justamente por essas características, o brasileiro preenche uma série de requisitos que se tornaram uma espécie de obsessão do clube. Nos bastidores da equipe catalã, é recorrente a procura por atacantes com um perfil parecido ao do novo reforço.
Existe até uma expressão entre os torcedores e a imprensa que simboliza o pacote: "Estilo Larsson".
Para entender a origem dessa história, é preciso voltar no tempo, ao ano de 2004. Tentando reforçar seu sistema ofensivo com um atacante experiente, o técnico Frank Rijkaard e o presidente Joan Laporta enxergaram uma oportunidade: o sueco Henrik Larsson, então com 32 anos.
Larsson havia aparecido para o mundo na Copa de 1994, quando a Suécia foi a terceira colocada, incluindo dois jogos contra o Brasil. Ídolo do Feyenoord, da Holanda, e do Celtic, da Escócia, ele havia acabado de encerrar seu contrato e chegou de graça à Catalunha.
Ninguém esperava muito de Larsson, que chegava em um elenco que tinha Samuel Eto'o, Ronaldinho, Ludovic Giuly e Maxi Rodríguez como opções ofensivas — além de um tal Lionel Messi, que ainda usava a camisa 30 e começava a ganhar espaço.
O sueco entendeu rápido o seu papel. A ideia é que ele fosse um reserva útil, que daria opções táticas, ajudaria na marcação e, quando possível, marcaria seus gols. Larsson ficou apenas dois anos no Barcelona, mas entrou para a história pela forma como ajudou o time com todo o que dele se esperava.
A chave de ouro foi a final da Champions League de 2005-06: em seu último jogo com a camisa do clube, o sueco saiu do banco e deu as duas assistências — para Eto'o e Belletti — no 2 a 1 contra o Arsenal. No período em que esteve no clube, ele teve a terceira camiseta mais vendida do clube, superado apenas por Ronaldinho e Eto'o.
Lá se vão 20 anos desde que o atacante sueco deixou o Barcelona, e a cada mercado de transferências a busca por um "atacante estilo Larsson" reaparece. Desde então, houve vários centroavantes que ganharam o rótulo quando chegaram ao clube.
O primeiro a ser chamado de "novo Larsson" foi Eidur Gudjohnsen, que chegou logo após a saída do atacante nascido em Helsingborg. O islandês participou da conquista do triplete de 2008-09, sob o comando de Pep Guardiola, mas foi perdendo espaço e deixou o clube após três temporadas.
O caso mais recente foi o do holandês Luuk de Jong, que atuou pelo clube na temporada 2021-22, emprestado pelo Sevilla. Pouco antes, foi Martin Braithwaite, hoje no Grêmio, que recebeu a alcunha. Nenhum deles chegou perto de conquistar a torcida e a imprensa, como o antecessor sueco.
Gabriel Jesus chega com um perfil parecido ao de Larsson e não terá lugar entre os titulares de Hansi Flick.
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