Tarcísio apoia Flávio negando São Tomé: ver para não crer
Tarcísio de Freitas esboçou seu futuro político num par de sabatinas. Nesta quinta-feira, disse a veículos do Grupo Globo acreditar que Flávio Bolsonaro vai "honrar" o compromisso de acabar com a reeleição caso vire presidente. Na véspera, o governador havia declarado à Jovem Pan que "talvez" dispute a Presidência no futuro.
Em política, nada é mais incerto do que a certeza. Bolsonaro e Lula elegeram-se em 2018 e 2022 defendendo o fim da reeleição com rara convicção. Sentados no trono, mudaram de ideia. Derrotado, Bolsonaro recorreu à tentativa de golpe para se manter no cargo. Deu em cadeia.
Tarcísio estreou em 2026 engolindo o sapo do veto de Bolsonaro ao seu plano presidencial. Ungido pelo pai, Flávio Bolsonaro apresentou no Senado em fevereiro seu projeto pelo fim reeleição. Quis provar ao governador paulista que existe vida após a morte dos projetos políticos. Três meses depois, discursando em Santa Catarina, Flávio disse que, se eleito, seu governo poderia durar até oito anos.
Seria ingenuidade supor que Tarcísio coloca a fé no improvável acima dos fatos. Com a tranquilidade de quem abriu vantagem de 15 pontos sobre Fernando Haddad nas pesquisas, o governador talvez já tenha feito as pazes com o ceticismo. No íntimo, deve torcer pela vitória de Flávio Bolsonaro como quem duvida até de São Tomé: é preciso ver para não crer.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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