IA será pausada? O que chefões, China e EUA falaram sobre 'ameaça global'
O pedido para "pisar no freio" na inteligência artificial saiu do Vale do Silício, ganhou apoio de rivais improváveis e virou briga geopolítica em questão de horas. Enquanto líderes de empresas falam em risco real e pedem mais fiscalização, Donald Trump e o governo chinês tratam o assunto como disputa de poder - e a pergunta que fica é se alguém, de fato, consegue desacelerar essa corrida.
Precisamos desacelerar o ritmo em que melhoramos as capacidades dos modelos de IA. O progresso ainda vai parecer rápido, e precisamos usar bem o tempo que ganharmos. Dario Amodei, CEO da Anthropic (sábado)
Concordo com Dario que precisamos 'ritmar a fronteira'. Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso parecido com o de funcionários é uma ótima ideia, e nós vamos fazer o mesmo. Sam Altman, CEO da OpenAI (sábado)
A única forma de controle, ou guarda-corpos, que a IA precisa é de um presidente FORTE E INTELIGENTE (QI alto!). Estamos liderando a China em IA - e , francamente, eu quero manter assim, porque quem vence a IA, vence. Donald Trump, presidente dos EUA (em declarações entre domingo e segunda)
Isso está se movendo muito rápido em mãos privadas, e se não conseguirmos controlar, acho que pode ser perigoso. Barack Obama, ex-presidente dos EUA (quinta-feira, segundo relato do New York Times publicado no fim de semana)
As pessoas importam mais do que a IA. Algumas pessoas pensam que é inevitável que superinteligência vá além do controle humano, mas eu não concordo com isso. Acho que isso seria muito, muito perigoso. Mustafa Suleyman, chefe de IA da Microsoft
Alarmismo, confronto e competição maliciosa só vão atrapalhar o processo de governança global de IA e não servem aos interesses de ninguém. Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China (segunda-feira)
O que chama atenção aqui não é só o conteúdo das falas - é a velocidade com que elas se encadearam e o tipo de gente que apareceu do mesmo lado. Quando o CEO de uma empresa pede para desacelerar e, em seguida, recebe apoio público de concorrentes e figuras que raramente concordam entre si, a mensagem implícita é: "o que estamos vendo por dentro é sério o bastante para virar assunto de Estado".
Claro que é ingenuidade pensar que há algum altruísmo pela humanidade na fala desses líderes - o que eles têm visto internamente em seus produtos pode ter assustado com a possibilidade de suas empresas serem responsabilizadas por danos catastróficos - ou perceberam que o atual crescimento não gerará um retorno financeiro ou energético sustentável. A gravidade é tamanha que deixaram de lado o discurso "tecnotimista" antes da abertura de capital - que a OpenAI já diz que irá adiar para 2027.
O debate também tem um "pé no acelerador" difícil de ignorar. Trump enquadra a discussão como corrida contra a China, e Pequim devolve dizendo que o discurso de risco é "alarmismo" com cara de estratégia de contenção.
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