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Crédito em alerta: Bancos evitam clientes de baixa renda e elevam garantias em meio à piora da economia

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Crédito em alerta: Bancos evitam clientes de baixa renda e elevam garantias em meio à piora da economia

Os maiores bancos do Brasil estão redobrando a postura mais cautelosa na concessão de crédito, dando continuidade a uma migração para produtos com garantia e clientes de renda mais alta diante de sinais de deterioração nas finanças das famílias, apesar de um mercado de trabalho ainda forte e de uma economia que segue superando expectativas.

O Banco do Brasil ( BBSA3 ) encerrou a temporada de balanços na quarta-feira, após Itaú ( ITUB4 ), Bradesco ( BBDC4 ) e Santander Brasil ( SANB11 ) terem reportado seus números do segundo trimestre.

Entre os maiores bancos listados do país, a mensagem ecoou em uníssono: redução da exposição a tomadores mais arriscados e ao crédito sem garantia.

A estratégia sugere que as instituições estão se preparando para uma fase mais desafiadora do ciclo de crédito, após anos em que o forte endividamento das famílias ajudou a sustentar o crescimento econômico na maior economia da América Latina.

“Entendo como um reconhecimento mesmo e uma lembrança de que o cuidado nas concessões de crédito pode ser ainda mais apurado”, disse Katherine Hennings, analista da consultoria BRCG.

Segundo ela, a postura crescentemente defensiva dos bancos reflete preocupações de que a economia brasileira esteja se aproximando de uma fase de desaceleração após um período de expansão parcialmente sustentado pelo aumento da alavancagem das famílias.

Períodos de forte crescimento do crédito acompanhados por rápida elevação do endividamento das famílias historicamente foram seguidos por desacelerações mais profundas do consumo, afirmou Hennings, citando a experiência brasileira após o forte aumento da dívida das famílias entre 2011 e 2015.

O que torna o ciclo atual incomum — e potencialmente mais danoso quando o crescimento perder fôlego — é que a situação financeira das famílias se deteriorou rapidamente mesmo com desemprego em níveis baixos e renda em alta, com o comprometimento de renda rondando níveis recordes, em torno de 50% da renda disponível.

Hennings atribui a situação a uma combinação de fatores.

Do lado estrutural, mudanças regulatórias, a expansão das fintechs e a rápida adoção de meios digitais de pagamento ampliaram o acesso ao crédito entre consumidores antes excluídos do sistema bancário.

Do lado conjuntural, ela destacou o estímulo promovido por políticas voltadas para impulsionar consumo e crédito, incluindo iniciativas mais recentes patrocinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva conforme se prepara para disputar a reeleição em outubro.

Essas medidas contribuíram para elevar a alavancagem das famílias, muitas vezes por meio de modalidades sem garantia e de custo elevado, como cartão de crédito e empréstimo pessoal, justamente os tipos de crédito que os grandes bancos agora evitam conceder para clientes de menor renda.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.

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