Quem deve mandar: o povo ou os juízes?
Em uma democracia, a resposta deveria ser simples: o poder pertence ao povo.
É ele quem escolhe seus representantes para fazer as leis e governar.
Aos juízes cabe aplicar o Direito e, ao STF, especialmente, proteger a Constituição.
O problema começa quando essas funções se confundem.
Uma coisa é interpretar a Constituição e impedir abusos.
Outra é utilizar a interpretação para criar uma regra que a Constituição ou a lei não estabeleceu.
Antonin Scalia, que integrou a Suprema Corte dos Estados Unidos, deixou uma advertência importante: “Se você for um juiz bom e fiel, deve se resignar ao fato de que nem sempre vai gostar das conclusões a que chega.
Se gosta delas o tempo todo, provavelmente está fazendo algo errado.” A lição é simples.
Juiz não existe para decidir conforme suas preferências.
Muitas vezes, a lei levará a uma conclusão diferente daquela que ele considera melhor ou mais justa.
Ainda assim, a lei deve ser respeitada.
É justamente aí que está a grandeza da função judicial.
Respeitar a Constituição quando concordamos com ela é fácil.
Difícil é respeitá-la quando gostaríamos que ela dissesse outra coisa.
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