Ata do Copom: Cortes da Selic serão ajustados conforme evolução do cenário
O Comitê de política Monetária (Copom) do Banco Central diz, em ata divulgada nesta manhã, que “a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
O colegiado destaca que o contexto atual apresenta “incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços”.
O documento detalha a decisão tomada na semana passada de baixar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.
Segundo o colegiado, as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente.
“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, diz a ata.
De acordo com a ata, choques de oferta têm exercido influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva.
“O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem”, diz o documento.
Riscos para inflação O Copom voltou a qualificar que o balanço de riscos para a inflação é assimetricamente altista, com riscos tanto de alta como de baixa mais elevados que o usual.
O Copom relaciona entre os riscos altistas a desancoragem das expectativas.
“Uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia”, diz a ata do Copom.
O comitê também relaciona, entre os riscos altistas, “uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo” e também “uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”.
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