'Susto' da PM em Haddad terá desfecho ruim, qualquer que seja ele
A abordagem relatada por Fernando Haddad e por seu motorista, envolvendo uma viatura da Polícia Militar, não tem "final feliz" possível e tende a terminar mal, qualquer que seja a conclusão oficial, avalia José Roberto de Toledo no A Hora , do Canal UOL .
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo , disponível nas principais plataformas. Ouça aqui .
Segundo Thais Bilenky, Haddad contou em um evento na OAB que uma viatura acendeu o farol e fez uma abordagem "inusual" quando ele voltava para casa. No dia seguinte, o motorista relatou que a mesma viatura o seguiu até sua residência e foi agressiva ao ser questionada.
Essa história não tem final feliz possível, na minha opinião. Melhor das hipóteses: foi uma unidade da Polícia Militar, um carro da Polícia Militar, que agiu por livre e espontânea vontade, o que é grave porque é uma quebra de hierarquia você ter um carro fazendo o que quer, uma viatura abordando e importunando o cidadão sem motivo. Na pior das hipóteses, alguém mandou. Duvido que o inquérito do Tarcísio vá chegar a essa conclusão. José Roberto de Toledo
Toledo diz que o episódio ocorre num momento em que segurança pública domina a campanha ao governo paulista. Ele lembra que, no primeiro debate entre Tarcísio de Freitas e Haddad, o tema ocupou os primeiros minutos, com os candidatos disputando a autoria de operações.
Na avaliação do jornalista, parte dessas ações citadas no debate não se liga diretamente aos governos estadual ou federal. Ele menciona operações capitaneadas pelo Ministério Público Estadual e outras conduzidas pela Receita Federal, que, segundo ele, seguem rotinas próprias.
É um mau sinal. Do mesmo jeito que você tem risco de insubordinação na Polícia Federal, você tem risco de insubordinação na Polícia Militar também. A culpa vai ser do motorista que apertou a luz do farol alto sem querer. José Roberto de Toledo
Bilenky também conecta o caso a uma discussão mais ampla sobre responsabilização de agentes do Estado por violência policial. Ela cita a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que classificou os "crimes de maio", em 2006, como graves violações de direitos humanos e, por isso, imprescritíveis.
Com esse entendimento, diz a jornalista, o processo volta ao Tribunal de Justiça de São Paulo para permitir o julgamento do mérito de uma ação civil pública que pede a responsabilização do Estado pelas mortes, em casos em que não se comprovou elo das vítimas com o PCC.
Toledo afirma que reconhecer a responsabilidade do Estado e reparar vítimas é importante mesmo quando o desfecho não leva à prisão. Ele também menciona a absolvição, pelo Tribunal do Júri, de dois policiais militares acusados de sequestrar, torturar e matar um jovem de 15 anos em 2020 na periferia de São Paulo.
Mostra como é muito difícil você punir os policiais envolvidos em violências como essa, porque até a população - isso fica expresso pela opinião do júri - é, de alguma maneira, uma tendência a avalizar esse tipo de comportamento.
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