Perfil de adoção muda em MS e casal que buscava bebê ganha filha de 11 anos
Durante anos, Graziele imaginou que, ao se tornar mãe, chegaria em casa e veria uma criança pequena correr em sua direção para abraçá-la, uma cena que fazia parte do sonho que levou ela e o marido a definirem o perfil desejado para a adoção.
O abraço, porém, veio de quem o casal não imaginava, uma menina de 11 anos que, aos poucos, transformou a rotina da família e, nas palavras da mãe, trouxe “brilho” para a casa.
A construção desse vínculo aconteceu de forma gradual.
Enquanto a aproximação com o pai foi mais rápida, Graziele precisou de mais tempo para conquistar a confiança da filha e perceber, nos pequenos gestos do cotidiano, que a relação entre as duas começava a se fortalecer.
Cerca de seis meses depois do início da convivência, aconteceu a cena que ela havia imaginado tantas vezes.
Ao voltar do trabalho, viu a menina correr em sua direção e, pela primeira vez, abraçá-la espontaneamente.
“Era um sonho que eu tinha”, conta Graziele, hoje com 38 anos.
“Aconteceu de uma forma natural, aconteceu de uma forma gradual.” A história reflete uma mudança percebida pela Justiça em Mato Grosso do Sul.
Segundo a juíza Katy Braun, da Vara da Infância, Adolescência e do Idoso de Campo Grande, os pretendentes brasileiros têm ampliado o perfil desejado para a adoção, demonstrando maior abertura para crianças mais velhas e grupos de irmãos.
O desafio ainda é grande.
Dos 104 crianças e adolescentes atualmente aptos à adoção em Mato Grosso do Sul, 74 têm entre 12 e 17 anos.
Ou seja, aproximadamente sete em cada dez que esperam por uma família são adolescentes.
Fora do idealizado - Graziele e o marido estão juntos há 21 anos e casados há 15.
Depois de enfrentarem a infertilidade, começaram a considerar outros caminhos para formar uma família.
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