Super El Niño se aproxima: quais áreas devem ser mais impactadas na América
O super El Niño deve se intensificar nos próximos meses, elevando o risco de seca em diversas regiões do planeta. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mapeou as áreas agrícolas mais vulneráveis e aponta o Corredor Seco da América Central como uma das zonas de maior preocupação.
Análise destaca Corredor Seco da América Central e Caribe como áreas de alta vulnerabilidade . As previsões indicam 70% de probabilidade de chuvas abaixo do normal, o que pode comprometer a produção de alimentos e afetar milhões de pessoas dependentes da agricultura.
Corredor Seco é uma faixa de áreas de floresta tropical seca que se estende do sul do México até o Panamá, passando pela costa do Pacífico e pelo centro da América Central . Inclui principalmente partes da Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e trechos da Costa Rica, regiões já marcadas por chuvas irregulares e alta vulnerabilidade à seca.
Cerca de 10,5 milhões de pessoas vivem na região do Corredor Seco . Elas estão concentradas principalmente em Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala, sendo que grande parte enfrenta situação de pobreza e depende da agricultura de subsistência —o que reduz a capacidade de superar períodos de seca.
Como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê ciclo mais forte que usual, análise da FAO se baseia em 41 anos de imagens históricas de satélite do Sistema de Índice de Estresse Agrícola (ASIS), rastreando onde eventos fortes e muito fortes de El Niño costumam gerar seca severa em lavouras e pastagens.
Sahel, na África, também está sob ameaça e apresenta uma ampla faixa de risco que vai do Senegal até Etiópia e Sudão . Na África Austral, a probabilidade de seca agrícola supera 50% em partes da Namíbia, Botsuana e países vizinhos. Já na Ásia, o risco atinge zonas produtoras importantes que vão do Paquistão à Indonésia.
Isso não é como os El Niños anteriores. O planeta está muito mais quente hoje e, com conflitos e insegurança alimentar generalizados, esta nova fase vai atingir mais forte os lugares já vulneráveis Jorge Alvar-Beltrán, oficial de Recursos Naturais da FAO
Mais de 80% dos impactos da seca na agricultura devem atingir países de baixa e média renda . "Um agricultor pode primeiro perder as culturas, depois o gado e, com isso, todo o seu meio de vida. Com os impactos em cascata de múltiplas crises já evidentes, há uma necessidade urgente de agir cedo", complementa Alvar-Beltrán.
Durante o El Niño de 2015-16, cerca de 3,5 milhões de pessoas ficaram em insegurança alimentar no Corredor Seco . No Haiti, as colheitas chegaram a cair até 70% em poucos meses, demonstrando a rapidez com que a seca se transforma em crise alimentar.
FAO e PMA (Programa Mundial de Alimentos) lançaram um apelo de US$ 202 milhões para proteger 8,8 milhões de pessoas em 22 países de alto risco . O objetivo é ampliar intervenções precoces, incluindo apoio a agricultores e pastores, assistência em dinheiro antecipada e sistemas de alerta precoce reforçados, antes que secas, inundações e tempestades se transformem em emergências humanitárias.
Esse nível de detalhe permite concentrar recursos nos pontos mais críticos.
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