Varejistas derretem na Bolsa enquanto juros altos pressionam empresas
As ações de grandes empresas do varejo acumulam perdas de até 99,93% desde o início de 2020, em um movimento que contrasta com a trajetória do Ibovespa no mesmo período.
Enquanto o principal índice da Bolsa brasileira avançou 44,2%, de mais de 118 mil pontos em janeiro de 2020 para 171 mil pontos no pregão desta última sexta-feira (21) , o ICON, índice que reúne empresas ligadas ao consumo, recuou 49,4%, de quase 5.500 pontos para 2.753 pontos.
O tombo foi especialmente forte entre algumas das principais companhias do setor.
Americanas e Casas Bahia acumulam quedas próximas de 100% desde o início de 2020, enquanto Magazine Luiza e Marisa recuaram mais de 95% no período.
Outras varejistas também registraram perdas expressivas, embora em menor magnitude.
Antes dessa forte desvalorização das varejistas no mercado acionário, muitos dos papéis tiveram um período de alta.
Se, em 2020, a Selic chegou a 2% e ajudou a impulsionar o consumo e a tomada de risco na Bolsa, nos anos seguintes a alta da taxa encareceu o crédito tanto para consumidores quanto para empresas.
Em entrevista ao CNN Money , Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, afirmou os juros elevados encareceram o custo das dívidas e da operação das empresas ao mesmo tempo em que reduziram a capacidade de consumo das famílias Leia Mais Eleições e IA criam "tempestade perfeita" na Bolsa, dizem analistas Bolsa dá sinais de recuperação, mas analistas veem apenas "repique técnico" Ações de bancos caem em meio a preocupações com inadimplência e juro alto O economista explica que o efeito foi especialmente relevante entre companhias que haviam aumentado a alavancagem durante o período de juros baixos.
“Quando a gente teve essa alta da taxa de juros pra 15%, elas começaram a ter um custo de carrego dessa dívida, um custo de despesas financeiras muito elevado”, afirmou.
Ao mesmo tempo, segundo Perri, algumas varejistas enfrentaram aumento da concorrência e perda de espaço em determinados segmentos.
No vestuário, ele cita a entrada de concorrentes estrangeiras; no setor de eletrônicos, aponta a combinação entre juros elevados, custos maiores e queda da demanda.
O especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, Marcos Bassani, também relaciona a queda às mudanças no mercado de crédito e à alta da Selic, que dificultaram o acesso dos consumidores ao crédito, elevaram a inadimplência e pressionaram as margens das empresas, além de encarecer suas dívidas.
Com a Selic em 2%, o mercado chegou a precificar algumas varejistas como empresas de tecnologia, segundo Bassani.
O auxílio emergencial, a migração do consumo de serviços para bens duráveis e a entrada de novos investidores pessoas físicas na Bolsa também contribuíram para aquele ambiente.
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