Volta do gringo é chave para sustentar alta da bolsa, afirma estrategista da Empiricus
O Ibovespa (IBOV) avançava terça-feira (19), caminhando para encerrar uma sequência de 11 pregões de queda.
A alta reflete a melhora do cenário externo, mas ainda não é suficiente para afastar as dúvidas que cercam o mercado brasileiro.
Para Matheus Spiess , estrategista da Empiricus Research , o movimento representa uma reação após semanas de forte pressão sobre os ativos locais.
“A recuperação é normal, porque sofreu muito”, afirmou durante o programa Giro do Mercado .
Segundo ele, a bolsa acumulou perdas diante da saída de investidores estrangeiros, de revisões negativas sobre o Brasil por parte de grandes bancos globais e da combinação de incertezas sobre juros, eleições e cenário internacional.
Apesar do alívio, Spiess avalia que a recuperação ainda carece de fundamentos mais sólidos.
“Esses espasmos de recuperação podem acontecer, como está acontecendo hoje, mas diante de tanta incerteza do que vai acontecer com o Brasil nos próximos quatro anos, é natural que haja mais movimentos de realização e ajuste de posição”, disse.
Assista a entrevista na íntegra : Na visão do estrategista, a trajetória da bolsa dependerá de dois fatores centrais.
“Para a Bolsa brasileira temos dois gatilhos: um eleitoral e um de juros”, afirmou.
Dados mais fracos de atividade podem abrir espaço para novos cortes da Selic, enquanto o avanço da corrida eleitoral tende a ganhar peso na precificação dos ativos.
A questão política, contudo, aparece como o principal vetor para o retorno dos recursos externos.
“O gringo volta hoje principalmente pelo vetor eleitoral”, disse Spiess .
Segundo ele, a retomada do fluxo estrangeiro foi um dos principais motores da valorização da bolsa no início do ano, quando investidores globais buscaram mercados descontados e economias em ciclo de queda de juros.
Sem uma mudança na percepção sobre o futuro da política econômica do país, porém, a tendência é que esse capital siga à margem.
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