Horizontes
O olhar mirava a arquibancada.
De lá, eu esperava a aprovação do torcedor mais exigente.
A “arquibancada” era uma cerca de madeira em torno do campo de terra em que eu e meus amigos disputávamos nossas peladas.
Meu pai assistia ao lado de outros torcedores, mas a impressão era que nas raras vezes que eu balançava a rede ou acertava uma jogada, ele havia acendido o cigarro, falado com alguém, olhado pro lado.
“Pô pai, presta atenção”.
Eu pensava, aborrecido.
O contrário também era verdade em minha imaginação adolescente.
Se eu perdesse a bola, levasse um drible, chutasse longe do gol, ele estaria atento.
“Pô pai, você só vê quando erro”? Eu matutava, envergonhado.
“Fiz que fui, não fui e acabei fondo ” é verso de boleiros antigos a descrever uma jogada que deu certo, mesmo com o pontapé na gramática.
Comigo foi diferente: “Fiz que fui, não fui e acabei não fondo mesmo a lugar algum”.
Como jogador de futebol não passei de esforçado peladeiro.
Já meu torcedor seguiu entusiasmado, mesmo nas minhas derrotas, que não foram poucas.
Meu pai, o Edgar, está no céu.
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