Saiba como e quando o PCC se infiltrou nas empresas de ônibus em São Paulo
Tudo começou em abril de 2000. Foi quando Antônio José Muller Júnior, o Granada, integrante da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), atualmente detido no Presídio Federal de Brasília, havia sido resgatado da Penitenciária de Hortolândia, no interior de São Paulo.
Segundo o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), dois anos após ser resgatado, Granada usou documento falso em nome de Agnaldo de Souza Ferreira e assumiu o cargo de diretor da Transmetro, uma cooperativa de transporte coletivo municipal e intermunicipal sediada em Diadema (SP).
As investigações apontaram que Granada tornou-se o líder da máfia dos perueiros e passou a cobrar uma espécie de "taxa de manutenção" no valor de R$ 15 mil de cada condutor que quisesse fazer parte da cooperativa.
Os MP-SP apurou que Granada ficava com R$ 2 mil de cada motorista. Quem não pagasse o "pedágio" e não respeitasse as determinações dele era ameaçado de morte. Por conta disso, o criminoso do PCC é investigado pelo desaparecimento de três perueiros.
Em maio de 2003, "a casa caiu" definitivamente para Granada. Ele foi preso em uma chácara em Paulínia (SP) por policiais do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), sob a acusação de usar a cooperativa para lavar o dinheiro do PCC.
Preso na Penitenciária de Araraquara, Granada foi acusado de continuar no comando na máfia dos perueiros. Foi o que revelou à Polícia Civil, em junho de 2006, o empresário de uma das principais cooperativas de transportes alternativos de São Paulo. O homem havia sido preso por suspeita de financiar com dinheiro da Cooper Pan a tentativa de resgate de um preso chamado Nivaldo, na Cadeia Pública de Santo André, em 5 de março de 2006.
Ao prestar depoimento, o empresário contou que o crime havia sido planejado por Granada e que Nivaldo, o alvo do resgate, era irmão de um presidiário apelidado de Branco, que também estava detido na Penitenciária de Araraquara junto com o chefe da máfia dos perueiros.
No depoimento, o líder da cooperativa revelou ainda que após a prisão de Granada, a Transmetro foi extinta, mas todos os perueiros da empresa, principalmente os que mantinham ligações com o PCC, tiveram de ser incluídos na garagem 2 da cooperativa liderada por ele.
A defesa de Granada, no entanto, alega que o cliente está preso há décadas e não tem nenhuma relação com os crimes investigados. Além disso, o advogado argumentou que as atividades das empresas de ônibus são de trabalhos lícitos e respeitam as normas estabelecidas pelas leis vigentes.
Em nota, a defesa do empresário negou que tenha sido mandante ou financiador do resgate de Nivaldo. "Após perícias contábeis, declarações e inúmeras diligências, o Ministério Público requisitou o arquivamento do inquérito, o que foi homologado pela Justiça", diz o texto. Ele ainda nega que tenha feito delação: "não conheço e nunca tive qualquer relação com as pessoas citadas na reportagem e, por isso, não houve qualquer referência minha a elas nos depoimentos que prestei na Polícia Civil."
O empresário ficou preso 10 dias. As delações dele caíram como uma bomba. A Polícia Civil pediu a prisão de oito pessoas, mas a Justiça negou.
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