Fuga de Flávio tem quatro vezes mais menções em redes sociais que asilo
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos teve um volume de publicações nas redes sociais quatro vezes maior que as menções a asilo político ou perseguição. Os dados são de um levantamento do Instituto Democracia em Xeque, com base na plataforma Talkwalker, entre os dias 26 e 28 de outubro.
Mais de 1,9 milhão de publicações foram feitas sobre a fuga de Flávio . Entre as narrativas abordadas nos posts, segundo o levantamento, estão o destino e paradeiro do senador, fuga e foragido , além de passaportes e descumprimento. "O enquadramento de fuga também ganhou destaque, com o uso recorrente de termos como "foragido" e "fujão", diz o relatório.
De acordo com juristas, é correto afirmar que Flávio fugiu do País, uma vez que havia uma medida cautelar do ministro Alexandre de Moraes (STF) que proibia o senador deixar o Brasil. No entanto, Flávio não é considerado juridicamente "foragido" porque não há um mandado de prisão contra ele.
A hashtag FlavioFugitivo foi identificada em quase 20 mil publicações . O senador fugiu para os Estados Unidos, onde chegou ontem pela manhã , após perder a eleição presidencial. Alvo de duas investigações no STF , ele descumpriu decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a entrega de seus passaportes até a manhã de terça-feira.
Já a narrativa sobre perseguição política ou asilo teve menos força nas redes. Segundo o levantamento, pouco mais de 500 mil publicações abordaram o assunto e tiveram 7,4 milhões de interações contra 33 milhões dos posts sobre a fuga. O instituto apontou que a narrativa "perseguição, ditadura e censura" apareceu em quase 5 mil publicações.
Nas redes sociais, o tema envolveu também referências a autoridades estrangeiras. O levantamento identificou publicações em inglês e espanhol sobre o assunto, já que os governos dos Estados Unidos e da Argentina participaram da fuga do senador. "Destaca-se a possibilidade de proteção do governo norte-americano, mencionada por aliados do senador como uma alternativa diante de uma suposta perseguição política", diz o estudo.
O senador foi de Brasília a Foz do Iguaçu, no Paraná, por via terrestre, segundo o UOL. São cerca 1.600 km de distância. De lá, seguiu de van para o aeroporto da cidade de Puerto Iguazú, na Argentina. Santiago Caputo, estrategista do presidente argentino Javier Milei, recebeu Flávio no local.
Para dar entrada no país, ele usou passaporte italiano. O filho de Bolsonaro tem o documento desde 2023, segundo o deputado italiano Angelo Bonelli. O documento foi concedido a ele e seus irmãos durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que chefia o país desde outubro de 2022.
Depois da Argentina, o parlamentar partiu com destino ao Equador . No país, pegou uma aeronave com a esposa, Fernanda Bolsonaro, e suas duas filhas para Miami. Horas após chegar nos EUA, Flávio publicou por meio de aliados uma carta golpista em que se dizia ser o "verdadeiro presidente eleito". Na sequência, o próprio senador divulgou um texto corrigido em se denominava "líder do Brasil".
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