Maglore continua a fazer pop rock eficiente em ‘Fluxo Natural’
É difícil viver de fazer música rock no Brasil, especialmente de maneira independente, mas o Maglore consegue.
Na ativa há mais de 15 anos, a banda formada em Salvador vem numa curva ascendente de popularidade desde antes da pandemia que permitiu a seus integrantes esse status raro entre artistas no país.
O sucesso de crítica do segundo álbum solo do vocalista Teago Oliveira , Canções do Velho Mundo (2025), apenas ajudou a criar uma expectativa maior de que o próximo disco do grupo, o sexto de estúdio, seria um acontecimento.
Algo capaz de alavancar o Maglore para um patamar maior, quiçá um lugar no mainstream tal qual Marcelo Jeneci conseguiu quando suas composições apareceram em novelas da Globo nos anos 2010.
A questão é que a música do Maglore, por natureza, não tem essa pretensão toda.
Trata-se de uma banda cuja sonoridade mistura de pop rock clássico com MPB, com o Clube da Esquina reinando sobre qualquer influência atual — vide a canção “Para Lô” , uma homenagem direta ao compositor mineiro Lô Borges , integrante do coletivo falecido em 2025.
Fluxo Natural (2026), acima de tudo, funciona como um bom álbum dentro desses parâmetros.
São vários os momentos durante a audição em que o ouvinte fica encantado pelos arranjos e as ideias musicais apresentadas.
Desde o violão de 12 cordas embalando um groove reminiscente de R&B tal qual Doobie Brothers em “O Rio e o Mar” até o riff de guitarra com timbre modulado à la Mk.gee no centro de “Farol” .
Ou ainda as diversas referências à obra da dupla de compositores Sullivan & Massadas , titãs da rádio pop brasileira durante a década de 1980.
Clube da Esquina pode ser a comparação chique a fazer sobre o Maglore, mas há bastante Roupa Nova em Fluxo Natural .
Isso acaba remetendo a um problema no álbum, que são as letras.
Teago Oliveira e o baixista Lucas Gonçalves – auxiliados por Carime Elmor e Gustavo Galo – têm um foco claro no cotidiano e como as coisas simples da vida podem ser sublimes.
Entretanto, falta aquele elemento a mais para transcender o lugar comum e fazer o simples extraordinário.
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