O que vai ocorrer quando um asteroide de 340 metros passar pela Terra em 2029, segundo a NASA
Um asteroide descoberto em junho de 2004 durante observações no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona (EUA), vai protagonizar um dos eventos astronômicos mais importantes da década: o Apophis, como foi batizado, deve passar pela Terra em abril de 2029 e sofrer modificações momentâneas em sua dinâmica orbital em razão da interação gravitacional com o planeta.
Segundo as primeiras observações de sua trajetória, realizadas pelos astrônomos Roy Tucker, David Tholen e Fabrizio Bernardi, o objeto deve passar, no dia 13 de abril de 2029, a cerca de 32 mil quilômetros da superfície do planeta, distância menor que a altitude da órbita geoestacionária, onde operam diversos satélites de comunicação e meteorologia.
Os cálculos iniciais produziram uma probabilidade de 2,7% de impacto na data, número que foi progressivamente reduzido ao longo dos estudos, até que a NASA concluiu que não havia mais risco de impacto com a Terra por pelo menos 100 anos e retirou Apophis da tabela de risco do sistema Sentry.
O Apophis é um asteroide de aproximadamente 340 metros de diâmetro médio (cujo eixo maior pode chegar a até 450 metros, já que é alongado), e pode pesar mais de 20 milhões de toneladas.
No ponto de maior aproximação, ele deve ficar a aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre.
Para comparação, isso é mais próximo do que a órbita geoestacionária, para onde são enviados satélites de comunicação e observação, que fica a uma altitude de cerca de 35.786 quilômetros.
Apesar disso, a trajetória do Apophis tem uma inclinação diferente do plano equatorial, o que não representa ameaça aos satélites em órbita nem à Terra, ou seja, descarta a iminência de uma colisão.
Durante a passagem, a gravidade terrestre deve exercer forças de maré sobre Apophis.
Isso significa que o lado do asteroide voltado para a Terra vai sofrer uma atração ligeiramente diferente daquela exercida sobre o lado oposto, o que pode gerar pequenos deslizamentos, mudanças no estado de rotação e modificações na órbita ao redor do Sol.
De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), a passagem é uma espécie de experimento natural.
A ESA elaborou a missão Ramses a fim de acompanhar toda a trajetória do asteroide antes, durante e depois do encontro e observar diretamente como o corpo responde à interação gravitacional com a Terra.
A expectativa é que a comparação entre o estado do asteroide antes e depois da passagem ajude a responder questões fundamentais sobre sua estrutura interna, densidade, porosidade, composição, coesão e comportamento diante de forças externas.
Pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Guaratinguetá, também querem estudar o fenômeno.
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