Na ONU, Lula dá recados eleitorais e a Trump
O discurso do presidente Lula na abertura da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta terça-feira, 22, em Nova York, passeou pelos temas recorrentes da sua política externa, como a defesa do multilateralismo, a crítica ao negacionismo sanitário e climático e a valorização da cooperação global, em especial com países emergentes da Ásia, da África e da América Latina, mas teve como fio condutor o objetivo de passar recados a dois “ouvintes”: o presidente americano Donald Trump e o eleitor brasileiro.
Os dois momentos do discurso que receberam aplausos dos presentes foram quando ele afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e quando garantiu estar trabalhando por “um país livre do feminicídio”.
O primeiro foi um recado em defesa da soberania do país diante de investidas dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras e de insinuações de interferência no processo eleitoral.
O segundo, um dos principais temas de sua campanha à reeleição.
De resto, a recepção do plenário foi contida.
Entre os recados para Trump estavam: a recusa de reviver um passado de ingerências externas na região; a necessidade de combater o crime organizado, mas sem terceirizar a proteção das fronteiras; a reafirmação de que as riquezas naturais do Brasil, incluindo as terras raras, são “do povo brasileiro”, e só poderão ser exploradas mediante certas condições; a necessidade da regulamentação das big techs e da inteligência artificial (IA); e a crítica a uma tentativa de “recolonizar o Sul Global”.
Já as principais mensagens para o eleitor brasileiro foram que: o governo está combatendo o crime organizado, tanto que aprovou a nova Lei Antifacção, com penas mais duras do que para o terrorismo; as bets estão destruindo famílias e precisam ser contidas; o Brasil voltou a “crescer de forma sustentável”; o país vai bater recorde de exportação este ano, apesar do tarifaço; “o trabalhador precisa descansar”, daí a necessidade de aprovar o fim da escala 6×1; é preciso tributar os mais ricos e combater as desigualdades; as eleições brasileiras deste ano são uma escolha entre “democracia ou negacionismo”.
Só faltou pedir voto.
Continua após a publicidade Como se vê, há muitas intersecções entre os recados para os Estados Unidos e aqueles destinados ao eleitorado brasileiro.
Lula descreveu o Brasil como um país sob ameaça externa.
E colocou-se como o único capaz de enfrentá-la.
Os recados para o mundo se tornaram uma bandeira de campanha.
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