terça-feira, 22 de setembro de 2026 📬 Resumo no TelegramPortaisSobre🌓
🇧🇷 BR ▾
ÚLTIMAS
Últimas

Lula e Trump fazem discursos opostos na ONU, mas ambos voltados a eleitores

UOL Notícias ·
Lula e Trump fazem discursos opostos na ONU, mas ambos voltados a eleitores

Quem assistiu aos discursos de Lula e Donald Trump hoje, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, viu dois líderes falando para seus eleitores, mas em sentidos opostos: Lula, pelo multilateralismo; Trump, pelo poder do mais forte.

Lula foi ovacionado ao classificar o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. No Oriente Médio, chamou o Hamas de grupo terrorista, acusou o governo de Benjamin Netanyahu de genocídio em Gaza e foi novamente aplaudido ao endossar a atuação de Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos. Também rechaçou interferências externas na América Latina ao afirmar que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". Recebeu ainda aplausos ao defender a igualdade de gênero no mercado de trabalho e o fim dos feminicídios.

Defendeu que a Venezuela decida seu próprio destino e mencionou a necessidade de processos democráticos em países como a Nicarágua. No campo econômico e ambiental, destacou a redução do desmatamento, defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial e condicionou o acesso internacional a minerais críticos à transferência de tecnologia. Criticou ainda as big techs por buscarem um "neoliberalismo digital" sem transparência e alertou para a tragédia das bets.

Trump, por sua vez, subiu ao púlpito com seu cardápio habitual de nacionalismo beligerante, apresentando os EUA como policial, promotor, juiz e carrasco do mundo. Defendeu as guerras que começou e mentiu sobre aquelas que jura ter terminado. Disse que a Venezuela é um lugar melhor após a invasão dos EUA, demonstrou desdém pelas mudanças climáticas, criticou a migração e promoveu o avanço da inteligência artificial ignorando seus riscos. Para o republicano, a ONU não é um espaço de cooperação, mas um símbolo de fraqueza e desperdício de dinheiro americano.

O abismo entre os projetos de mundo é evidente. De um lado, a tentativa de resgatar um pacto coletivo, com foco na desigualdade e nos direitos humanos; do outro, a pregação do America First , em que a força bruta substitui o direito internacional.

Tratar os dois discursos como equivalentes em conteúdo seria desonestidade intelectual. Na forma e no objetivo tático, porém, há algo em comum: o cálculo eleitoral.

Para Lula, a tribuna da ONU é uma vitrine estratégica para tentar mudar o foco sobre o STF, que impede a discussão sobre programas de governo. O palco internacional oferece o fôlego que Brasília teima em tirar. Já poucas coisas mobilizam mais o eleitorado de Trump do que a narrativa do herói solitário que enfrenta o sistema global para proteger o trabalhador comum — mesmo que isso não seja verdade.

No fim, a Assembleia Geral funcionou como caixa de ressonância. A diplomacia forneceu o cenário, a iluminação e as bandeiras; Lula e Trump levaram discursos pensados também para circular nas redes sociais e repercutir nas pesquisas de opinião.

Ainda assim, ambos expuseram visões de mundo radicalmente distintas sobre os caminhos diante do planeta.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ler a notícia completa no UOL Notícias ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

Este assunto em outros veículos

Mais de UOL Notícias

Ver tudo ›

Mais em Últimas

Ver tudo ›