Pesquisadores repatriados dizem temer corte de recursos e fuga de cérebros
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Pesquisadores brasileiros que voltaram do exterior para desenvolver projetos no país temem que o resultado das urnas para a Presidência, no próximo domingo (25), possa resultar em falta de recursos e instabilidade orçamentária, comprometendo as estudos e as carreiras deles.
O receio é expresso em um manifesto assinado por 25 cientistas ligados ao programa Conhecimento Brasil , criado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) em 2024 para atrair de volta ao Brasil pesquisadores que haviam deixado o país na última década.
No texto, divulgado no último fim de semana, eles afirmam que "a maioria de nós teve de deixar o país no governo Jair Bolsonaro [2019-2022] para continuar sobrevivendo porque a produção de conhecimento e formação de cientistas no Brasil haviam sido congeladas". Ainda segundo eles, o plano de Flávio Bolsonaro ( PL ) não apresenta compromissos explícitos com investimentos em pesquisa, tecnologia e formação de cientistas.
Procurada, a campanha do candidato não disse se pretende manter um programa de repatriação e fixação de pesquisadores brasileiros que atuavam no exterior.
Em seu plano de governo, o peelista cita que CNPq e Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) passarão a priorizar o impacto produtivo, a inovação e a transferência de tecnologia. Além disso, menciona que o poder público será indutor de inovação por meio de investimentos diretos e que haverá incentivo à pesquisa e ao aproveitamento econômico da biodiversidade.
Uma pesquisa coordenada pela socióloga Ana Maria Carneiro, coordenadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (Nepp) da Unicamp , reuniu respostas de 1.200 pesquisadores em 42 países em dados coletados por questionário online. O trabalho reúne algumas das motivações deles para atuar fora do país: oportunidades de trabalho, melhores condições de financiamento, bolsas no exterior e a situação política brasileira.
A trajetória de Marcela Teatin Latancia ilustra essa dificuldade. A biomédica estuda a combinação de proteínas no reparo de DNA para romper resistência a quimioterápicos no tratamento de câncer. Ela relata incerteza sobre a liberação dos dois terços restantes do recurso aprovado para a sua pesquisa e teme não conseguir custear os insumos necessários.
"O financiamento da ciência está de mãos dadas com a política. É um investimento de alto custo e demora para ter retorno. Por isso é um dos primeiros recursos cortados. Só que, quando esse retorno vem, é grande a recompensa", afirma.
O biólogo André Machado Xavier diz ter ido para o Canadá e para os Estados Unidos depois de encontrar poucas oportunidades de financiamento no Brasil. Ele estuda a resposta imunológica do sistema olfatório de roedores.
"Essa é uma ciência de base desenvolvida a longo prazo que pode permitir a criação de estratégias de prevenção e proteção contra infecções virais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.