Espetáculo “Arqueologias do Futuro” retorna a Curitiba; montagem vendeu o Prêmio Shell
O espetáculo “Arqueologias do Futuro” retorna aos palcos de Curitiba para uma temporada na CAIXA Cultural Curitiba , de 12 a 22 de novembro .
A peça-performance é vencedora do Prêmio Shell de Melhor Direção, e tem como ponto de partida o Complexo do Alemão, conjunto de favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro e território de origem do criador e estrela da obra, Mauricio Lima.
A montagem busca preservar, registrar e inventar memórias a partir de uma perspectiva negra e periférica.
Apresentações acontecem de quinta a domingo.
“Ouvir Estrelas” traz 45 composições inéditas ao palco em Curitiba Dirigida por Dadado de Freitas e Mauricio Lima, a obra combina performance, documento, ficção, imagens e sonoridades para construir uma narrativa que desafia os estereótipos associados à juventude negra e às periferias.
Em cena, cinco “artefatos” — objetos, personagens, vídeos e histórias formam uma arqueologia afetiva que articula lembranças vividas e inventadas.
“Desde a estreia no Festival de Curitiba, em 2023, a peça mudou muito e foi amadurecendo.
Embora seja profundamente ligada à experiência do Complexo do Alemão, ela passou a dialogar com outras periferias e favelas do Brasil, alcançando diferentes públicos”, conta Maurício.
A dramaturgia parte das memórias de Mauricio Lima e incorpora as vozes de mais de 30 jovens negros que integram o acervo do Museu dos Meninos.
Entre as imagens que atravessam a apresentação estão a navalha, as rotas de fuga, o Menino Amarelinho e o Homem-bola, figura inspirada nos vendedores de bolas presentes em parques de diversão, subúrbios e favelas.
“Não sei se o que propomos rompe necessariamente os estigmas, mas certamente tensiona e perturba o imaginário que temos sobre esses territórios.
Trabalhamos com elementos da cultura favelada de maneiras diferentes das representações já estabelecidas, buscando escapar das imagens predeterminadas sobre a favela”, declara Dadado.
Com uma linguagem que explora a relação entre corpo, luz, som e movimento, “Arqueologias do Futuro” propõe perguntas sobre visibilidade, representação e pertencimento: quais corpos são vistos e ouvidos? Quem tem o direito de narrar suas próprias histórias? E como imaginar futuros possíveis para populações historicamente marginalizadas? “Arqueologias do Futuro” nasceu de uma pesquisa que busca deslocar o olhar estigmatizante sobre o Complexo do Alemão e seus moradores.
Em vez de reproduzir narrativas que reduzem esses territórios à violência, a obra evidencia a potência de vida, a delicadeza e as possibilidades de criação presentes nesses espaços e em seus habitantes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.