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De onde vem nossa vontade de ostentar?

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De onde vem nossa vontade de ostentar?

Somos seres gregários.

Isso não é nenhuma novidade.

Eu mesma já escrevi algumas vezes por aqui sobre isso.

Vivemos em comunidade (ou, no vocabulário mais antigo, em bando), por isso a opinião dos outros importa muito.

E, por ela ter tanto peso, nos esforçamos em evidenciar nossas diferenças e deixar claras as conquistas que as tornaram possíveis.

Só que, antes, todo esse show off ficava confinado aos nossos relacionamentos mais próximos e, mesmo com uma amplificação razoável de perímetro, ainda ficávamos restritos aos nossos.

Hoje a coisa é um pouco outra.

As fronteiras da validação do pertencimento ficaram borradas depois das redes sociais — sim, sempre elas — e perdemos, com isso, a noção do impacto e das consequências desse traço genético da ostentação.

Muito antes de existirem os símbolos de sucesso dos dias de hoje, como Ferrari, Rolex, a Birkin de crocodilo ou garrafas de Petrus empilhadas na adega no andar de baixo da mansão em bairro nobre, o ser humano já ostentava.

Apenas os objetos mudaram, mas parece não ter mudado tanto aquilo que fazemos com eles.

Já foram penas, pedras raras, joias, terras, palácios, cavalos, carruagens.

Hoje podem ser carros, relógios, bolsas, viagens ou o CEP onde se mora.

Há milhares de anos encontramos maneiras de dizer aos outros, sem precisar vocalizar qualquer fonema, o que temos, a que grupo pertencemos e o que fomos capazes de conquistar.

Talvez porque ostentar seja menos sobre objetos do que imaginamos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.

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