Charleaux: Com fuga de Flávio, extrema direita perverte asilo político
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A extrema direita tenta transformar a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) em narrativa de "asilo" e "refúgio" para sustentar uma suposta perseguição política, avaliou o colunista João Paulo Charleaux no UOL News - 2ª edição , do Canal UOL.
O debate ganhou força após o senador fugir do país para os EUA e, já nos dias seguintes, a Polícia Federal pedir ao ministro Alexandre de Moraes autorização para buscas em endereços ligados a Flávio, com parecer favorável da PGR; Moraes, porém, negou a operação.
Fazendo recurso a essa figura do asilo, do refúgio internacional, o que a extrema direita está fazendo é perverter institutos de proteção internacional que foram acionados no passado durante ditaduras latino-americanas pela esquerda.
Então, foi a esquerda, no período de ditadura, que precisou recorrer à figura do refúgio, do asilo, pulando o muro de embaixadas para pedir proteção, fugindo para fora do país, porque existia uma operação concatenada na região.
Foi a chamada Operação Condor, destinada a localizar, prender, deportar, torturar e, eventualmente, jogar de cima de aeronaves, no meio do oceano, dissidentes políticos. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
Para Charleaux, o uso desses instrumentos pela família Bolsonaro tenta inverter papéis e dar aparência de perseguição a um caso que, na avaliação dele, é de investigação em curso, sem relação com repressão política.
Eles não são dissidentes de uma ditadura. Eles concorreram à eleição. Flávio Bolsonaro tem 22 anos de carreira política. Ele nunca teve nenhuma liberdade cerceada no Brasil.
Ele apenas é objeto de duas investigações que estão em curso, como muitos outros políticos são. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
O colunista também comparou a situação a uma abordagem em blitz de bafômetro, em que a medida cautelar seria "a menos gravosa", e disse que a fuga, por si, não equivale a confissão de culpa, mas exige que o investigado permaneça acessível às autoridades.
A medida cautelar é a menos gravosa. Não é prisão, detenção, busca e apreensão. É: 'o senhor está sob investigação e precisamos que esteja ao alcance caso precise prestar esclarecimentos'.
E aí ele optou por fugir. A fuga não é admissão de culpa, e esse é um princípio constitucional que é importante realçar. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
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