Para o Planalto, Moraes 'errou o timing' ao exigir passaporte de Flávio
Na reunião dos ministros para o aniversário de Lula ontem, uma crítica a Alexandre de Moraes foi marcada em todos as rodas de conversa. A avaliação no Planalto é que o ministro do Supremo Tribunal Federal "errou o timing" da ordem de recolhimento do passaporte de Flávio Bolsonaro, embora a Polícia Federal tenha pedido a medida pelo suposto risco de fuga do senador pós-eleição.
"Alexandre de Moraes tensionou a situação e deu argumento para a fuga do Flávio", disse um ministro, reservadamente, à coluna.
A decisão de Moraes foi usada pelos bolsonaristas como uma suposta evidência de que o candidato derrotado seria perseguido e teria de sair do país para se proteger. Membros do governo e dirigentes políticos têm se desdobrado para combater essa narrativa.
Oficialmente, o governo tem tratado a fuga de Flávio como um "caso de polícia", como salientou o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. "O governo não deve se preocupar com isso, com alguma influência de Flávio sobre o governo Trump. Além disso, o resultado da eleição foi tão exuberante que torna essa uma questão menor", disse ele ao UOL.
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, foi às redes sociais destacar que a fuga tem a ver com as investigações em torno do senador. "Não adianta vir falar de ditadura, de perseguição. Flávio fugiu porque deve", disse o ministro no X.
O presidente Lula também fez questão de afirmar à população que a fuga do senador não se trata de perseguição. "Quem não deve não teme", disse ele no discurso do dia de seu aniversário.
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