Petrobras carrega o Ibovespa, em dia de tensão com o STF e disparada das taxas globais
Em um dia em que a aversão ao risco dominou as praças globais e a maior parte das ações locais operou no campo negativo, o Ibovespa conseguiu engatar um movimento de alta descolado do resto do mundo.
O motor desse desvio não veio exatamente de uma melhora do humor, mas sim do peso do setor de petróleo na carteira teórica do principal índice da bolsa.
O Ibovespa subiu 0,5%, aos 186.503 pontos, reduzindo as perdas na semana para 0,4%.
No mês, os ganhos são de 5,1% e, no ano, de 15,7%.
Para Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o tom geral ainda é de muita cautela.
"O mercado está em modo 'esperar pra ver', mais defensivo.
O gatilho mais forte de curto prazo é doméstico, com a votação no STF e o Copom para decidir a taxa de juros", avalia.
Lá fora, a escalada do conflito no Oriente Médio e a paralisação de campos de petróleo na Líbia renovaram os temores sobre a oferta global, jogando as cotações para cima.
O petróleo tipo Brent, referência mundial, para novembro subiu 2,9%, cotado a US$ 108,75 por barril, enquanto o WTI, referência americana, para outubro saltou 4,4%, a US$ 105,83 por barril.
A disparada do petróleo transbordou diretamente para os papéis da Petrobras.
As ações preferenciais da estatal (PETR4) saltaram 3%, enquanto as ordinárias (PETR3) avançaram 3,4%.
O setor bancário, liderado pelos ganhos do Itaú (ITUB4), em alta de 0,8%, ajudou a dar sustentação ao movimento.
O avanço dessas "blue chips" encobriu a fraqueza de outros ativos de peso, como a Vale (VALE3), detentora da maior fatia do Ibovespa, que caiu 1,2%.
Das 76 ações do principal índice da bolsa, 46 subiram.
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