Nuno Crespo: “Exercer a nossa humanidade em plena ditadur...
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A arte possibilita a construção de uma conversa que não tem fim, não só sobre religião, não só sobre espiritualidade, mas o mundo em que vivemos.
Vem aí um acontecimento inédito que junta educação e arte. A primeira trienal de arte do Vaticano e o curador-geral é um português e está aqui comigo. É verdade, Nuno Crespo, doutorado em Filosofia, crítico de arte do público e diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, foi nomeado curador-chefe da Art Cut 2026, uma trienal de arte contemporânea sonhada pelo cardeal José Tolentino de Mendonça, dirigida às universidades católicas de todo o mundo, que vai incluir trabalhos de mais de uma centena de artistas emergentes e consagrados em oito cidades de sete países entre este ano e o próximo. A ideia é proporcionar uma vasta conversa entre arte, educação e cultura, afirmando a arte como espaço de resistência à desumanização na era da inteligência artificial, na sequência da reflexão de Leão XIV na "Magnifica Humanitas". A primeira edição desta trienal começou no Rio de Janeiro, no final de agosto, e passa depois por Santiago do Chile, Bogotá, Boston, Milão, Lisboa e Luanda, antes de culminar em Veneza, em plena Bienal, em 2027. Em Portugal, arranca já segunda, dia 12, na sede da Universidade Católica Portuguesa, e vai incluir trabalhos de nomes como Amadeu de Souza-Cardoso, Helena Almeida, João Abel Manta, Julião Sarmento ou Aires Mateus. Para saber mais, vamos conhecer melhor este homem que acredita que a arte, que nos permite viver mais do que uma vida, é o melhor termômetro para ler a sociedade contemporânea. Olá, Nuno, e bem-hajes por ter aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.
É um grande prazer estar aqui a falar contigo, finalmente. Apanhei-te entre visitas, porque a trienal já está a decorrer. Tu vieste do Brasil no fim de agosto, dia 27, inaugurou lá.
Começámos no Rio de Janeiro, depois saltei. Fim de agosto, depois no comecinho de Santiago do Chile, depois mais uns dias. Bogotá. Não, agora finalmente vou acabar esta turnê. Sinto-me em verdadeira turnê. No outro dia falava com uma amiga música assim: "Agora já sabes o que nós os músicos sofremos." É assim.
Exato. Extraordinária a tua missão. Muito bem, só para as pessoas, para contextualizar e saber quem tu és. Tu licenciaste-te em Filosofia, puseste uma pós-graduação em Filosofia Contemporânea, Estética, concretamente. Doutoraste então a Filosofia. É muito importante, e eu gosto muito de ressaltar isso dos meus convidados, as homenagens que vocês prestam, quando são merecidas, aos vossos professores. Tu aqui tens o José Gil e tens a Maria Filomena Molder, que foi tua orientadora na tese, que fizeste sobre Wittgenstein. São duas pessoas que te deram uma visão extraordinária do mundo e do conhecimento do mundo, que te formaram muito também, não foi?
Sim. O José Gil e a Maria Filomena foram figuras fundamentais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.