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Afinal, que país temos?

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Afinal, que país temos?

O Governo descobriu em nove meses uma economia portuguesa quase irreconhecível.

Em dezembro, Portugal era a “Economia do Ano”, um país mais forte, mais resiliente e a crescer acima da média europeia.

Agora, algumas propostas da oposição para baixar impostos parecem suficientes para convocar José Sócrates, 2009, a bancarrota e a troika.

Qual destas duas economias é, afinal, a verdadeira? A comparação é desconfortável porque as palavras são do próprio Luís Montenegro.

Quando a The Economist colocou Portugal no primeiro lugar do seu ranking de 36 economias desenvolvidas – um ranking que, como se costuma dizer, vale o que vale –, Montenegro apresentou a distinção como confirmação do rumo seguido pelo país e pelo Governo.

E chegou a dizer, na Alemanha, que não havia a noção, em Portugal, do quão brilhante era a economia portuguesa.

Na mensagem de Natal, disse que Portugal estava “mais forte e mais resiliente” e que havia razões para olhar para o futuro com esperança.

Esta semana, de repente, o discurso mudou de escala, apareceu um novo país.

Montenegro recuperou os “erros de 2009” quando explicava ao país a impossibilidade de novas medidas de apoio para lá do IRS, das pensões e da subsidiação do ISP, Maria da Graça Carvalho repetiu a referência e Hugo Soares perguntou se José Luís Carneiro queria transformar-se num “novo Sócrates” e levar Portugal à bancarrota.

O Governo tem argumentos para rejeitar uma baixa generalizada do IVA, sejam económicos ou financeiros, e não precisava de os contaminar com este dramatismo, que pode aliás voltar-se contra a sua própria estratégia económica (já lá vamos).

Portugal deve preservar uma margem orçamental, já se si pressionada pela evolução acelerada da despesa pública acima do orçamento.

A Comissão Europeia ainda projeta um crescimento de 1,7% este ano, uma inflação de 3% e uma dívida pública abaixo dos 90%.

Não é um quadro de bancarrota, longe disso.

É um quadro razoavelmente sólido, mas exposto a riscos externos significativos, sobretudo através da energia e dos aumentos dos combustíveis e dos juros.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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