Comité das Regiões defende orçamento UE territorial
A presidente do Comité das Regiões Europeu (CR) defendeu hoje, em Bruxelas, que o orçamento comunitário (2028-2024) deve interligar os pontos fortes da Europa e ajudar mais territórios a desenvolver o seu potencial.
"Se a Europa quer ser mais forte no palco global, tem também de se manter forte internamente.
O seu orçamento deve interligar os pontos fortes da Europa e ajudar mais territórios a desenvolver o seu potencial", afirmou a presidente do CR, Kata Tutto, durante a sessão de abertura da Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, que começou hoje, em Bruxelas, que contou com a presença do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A 24.ª edição da Semana Europeia das Regiões e dos Municípios, que decorre até quarta-feira, tem como lema "Regiões fortes, Europa forte", prevê a realização de mais de 100 eventos e cerca de cinco mil participantes.
Esta é também uma semana marcada pela discussão em torno do orçamento comunitário (2028-2034), que está em negociações.
"A promessa da Europa é uma prosperidade partilhada.
Não podemos cumpri-la partindo do princípio de que o crescimento gerado num número reduzido de territórios acabará por chegar a todos.
A coesão e a competitividade andam de mãos dadas, ligando a inovação às empresas, aos trabalhadores e às comunidades de toda a Europa", afirmou Kata Tutto.
Para quem "as regiões e os municípios trazem conhecimento, capacidade de investimento e a confiança dos cidadãos" e, por isso, o "próximo orçamento da UE deve dar-lhes os meios para agir e garantir às pessoas uma verdadeira possibilidade de escolha para construírem o seu futuro onde se sentem em casa".
A presidência irlandesa do Conselho da UE propôs no sábado cortes de 8% na proposta da Comissão Europeia de orçamento plurianual para 2028 a 2034, para um total de 1,62 biliões de euros, sem mexer substancialmente na coesão e agricultura.
Já durante a manhã, em conferência de imprensa, a presidente do Comité das Regiões Europeu (CR), rejeitou a ideia de que a "política de coesão seja uma política ultrapassada, tradicionalista e um peso morto".
O relatório anual da UE sobre o estado das regiões e municípios, divulgado hoje pelo CR, apresenta um quadro "preocupante" dos desafios atuais e futuros que os territórios europeus enfrentam, já que uma em cada duas regiões registou um aumento da pobreza e exclusão social, enquanto mais de metade das regiões viu as condições do mercado de trabalho deteriorar-se.
Aponta também para a diminuição da produção, para os elevados custos energéticos que estão a enfraquecer a competitividade regional, para as alterações demográficas e para a cada vez maior vulnerabilidade a catástrofes naturais.
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