Mais uma “empresa estratégica”...
Montenegro discursou 47 minutos no Pontal, a 14 de Agosto, para abrir o ano político do PSD.
Duas coisas saltam à vista.
Quase nada do que apresentou como conquista era novo.
E a única coisa genuinamente nova, mal a explicou.
Foi buscar ao fundo da gaveta as promessas do Pontal do ano passado: hospital do Algarve, Fórmula 1, Moto GP, e o projeto “Água que Une”, que já vai na décima apresentação sem avanço concreto.
A grande novidade, que já não era novidade porque tinha sido noticiada horas antes, foi comprar 13,7% da REN com dinheiro dos contribuintes, sem dar satisfações a ninguém.
Montenegro enquadrou a compra no Fundo Soberano Nacional anunciado no Congresso do PSD em Junho, negou nacionalização, chamou-lhe interesse estratégico.
Não é.
É dinheiro dos contribuintes a comprar o que Portugal já tinha, avaliado em cerca de 325 milhões pela cotação do dia, porque o Governo não revelou o valor exato.
O Estado não precisa de ser acionista para defender o interesse público numa concessionária tão regulada.
Os instrumentos já existem.
13,7% não dá controlo nenhum, não muda uma vírgula nas decisões sobre a rede, já que numa sociedade anónima, bloquear decisões exige um terço do capital, impor estratégia exige maioria.
Com 13,7%, o Estado fica abaixo dos dois, não decide nada.
Também não baixa a factura da luz: tarifas e investimento saem do quadro regulatório e decidem-se no contrato de concessão, não em assembleia geral de acionistas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.