Facas e garrafas: Seguranças alertam para violência na noite do Porto
"( ...) Eu atuei como segurança porteiro nos últimos 24 anos e nos últimos 12 estive como segurança porteiro na Movida, nas Galerias. Foi vivido por mim em primeira mão, porque estive lá semana após semana: ali, na baixa do Porto, não só aumentou o número de crimes, como a gravidade dos mesmos", garantiu Cláudio Ferreira.
O sindicalista partilhou ainda que cada vez mais têm sido registados episódios de violência contra seguranças privados que fazem porta nos bares da cidade.
"Antigamente havia algumas agressões, mas eram coisas físicas menos graves. Hoje em dia, facilmente somos atacados com facas, com garrafas", afirmou.
Cláudio Ferreira falava a propósito de desacatos registados na noite de sexta-feira para sábado na baixa do Porto.
Segundo o Jornal de Notícias (JN), um grupo de seis turistas terá sido roubado e espancado por um grupo de homens "que habitualmente circulam as Galerias para vender droga" e, mais tarde, na mesma madrugada, no bar Hora Extra, um cliente terá atacado um segurança no pescoço com um copo de vidro partido.
O SUSP considera insuficiente o número de efetivos no Comando Metropolitano do Porto da PSP.
"Eu passei lá dias e semanas onde não havia um único agente da PSP disponível a fazer rondas e a fazer uma presença mais ativa. Havia alturas em que eles estavam lá até às 23:00, faziam depois uma troca de turnos, mas antes das 04:00 já não aparecia mais ninguém, porque não há efetivos", explicou.
Desacatos entre grupos, tentativas de violação e venda de droga falsa - que acaba "em espancamento quando a pessoa vê que é falsa e vai reclamar" - são algumas das ocorrências que Cláudio Ferreira disse assistir com mais frequência.
"Às vezes falam das estatísticas, porque o Porto não tem estatísticas [que indiquem que o crime aumentou], que está tudo muito calmo, mas não é bem assim, porque a maior parte das agressões são contra os turistas, que vêm aqui um sábado ou um domingo, vão-se embora e não apresentam queixa", disse.
O sindicalista alertou que os seguranças privados estão "completamente vulneráveis" e criticou que as agressões contra estes profissionais não sejam consideradas crime público (como acontece com os polícias, por exemplo).
Cláudio Ferreira referiu que o sindicato já fez um pedido de audiência urgente ao Ministério da Administração Interna.
"E depois temos um problema grave: é que apesar de na lei da segurança privada nós estarmos permitidos a usar o que é chamado de armas classe E (armas não lotais), como existe muita burocracia, em que o uso tem que ser autorizado pela empresa (...) e como há todo este mito e todo este estigma de que os seguranças porteiros e os vigilantes com um bastão na mão vão matar toda a gente, as empresas não arriscam e os clientes também não arriscam", acrescentou.
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, considerou hoje que os episódios de violência que se registaram nos últimos dias na cidade do Porto refletem o "falhanço do Estado" na área da segurança.
"[Os portuenses] têm o direito de poder viver o espaço público com tranquilidade.
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