Síria: Material nuclear encontrado no país ficará à guarda de Damasco
E m conferência de imprensa conjunta em Damasco com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria, Assad al-Shaibani, afirmou que o material "permanecerá sob custódia síria", sob a supervisão da agência da ONU, e reafirmou o "direito soberano e legal" ao uso pacífico e civil da energia nuclear.
O chefe da diplomacia de Damasco declarou que a Síria concedeu aos inspetores da AIEA o acesso às instalações de Deir al-Zour, antigo sítio nuclear no leste do país e bombardeado por Israel em 2007, por "decisão soberana", e descreveu a transparência como uma "escolha", comprometendo-se a manter a cooperação com a organização liderada por Rafael Grossi.
"Após a vossa corajosa decisão de nos informar da existência de outro local, de outra instalação onde tinham sido armazenados materiais nucleares, conseguimos aceder a esse local. (...) Estamos a falar de algumas toneladas de materiais nucleares suscetíveis de serem utilizados indevidamente", declarou Rafael Grossi, durante a conferência de imprensa com o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio.
Asaad al-Shibani, explicou, por seu lado, que o Governo de Damasco enviou, em 17 de julho, uma carta oficial à AIEA a "declarar voluntariamente a presença de materiais nucleares num local não declarado, que faz parte da herança deixada pelo antigo regime" liderado por Bashar al-Assad.
O ministro sírio indicou que uma equipa da AIEA "concluiu a visita ao local hoje de manhã e recolheu as amostras necessárias".
Após uma sangrenta guerra civil que se prolongou quase 14 anos, o regime de Bashar al-Assad foi derrubado em dezembro de 2024 por uma coligação militar rebelde, atualmente no poder e liderada por Ahmad al-Sharaa.
Apesar do seu passado jihadista, al-Shaara tem procurado normalizar as relações de Damasco com os países da região e com o Ocidente, incluindo os Estados Unidos, ao mesmo tempo que tem procurado levantar as sanções que pendiam contra a Síria durante a liderança de al-Assad, que se exilou em Moscovo.
Depois de anos de tensão entre Damasco e a AEIA, as partes reaproximaram-se com a chegada de al-Sharaa ao poder e os inspetores voltaram a ter acesso irrestrito a locais relevantes para esclarecer as atividades nucleares passadas na Síria.
Grossi afirmou que hoje foi "um bom dia para a segurança e a paz globais", observando que a agência estava a colaborar com as autoridades sírias há 18 meses.
Por outro lado, assinalou que era necessário abordar as questões pendentes que "preocupavam a comunidade internacional" para que a Síria pudesse "cumprir integralmente" as suas obrigações nucleares".
No futuro, disse ainda, a tecnologia nuclear síria estará ligada à gestão de energia, saúde, alimentação e água, em vez de armamento.
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